Nutrindo a mudança - Boletim RSA


Nutrindo a mudança - Boletim RSA

Publicado em 25/04/2018 às 12:50





Saber Funcional

Conheça as propriedades do urucum, fruto nativo cultivado por agricultores familiares

Por Valéria Paschoal VP Consultoria Nutricional

O urucum é um fruto nativo de regiões tropicais, como o Brasil. Em várias regiões, inclusive em comunidades indígenas, é muito utilizado como corante natural, devido à sua forte coloração avermelhada. Recentemente tem sido muito cultivado por agricultores familiares em diversas regiões do Brasil, sendo reconhecido como um potencial na geração de renda dessas famílias.

Sobre sua composição nutricional, estudos brasileiros mostram excelentes quantidades de flavonoides e carotenoides (compostos ativos responsáveis pela cor do urucum), bem como vitamina E. Todos esses componentes caracterizam o urucum como um fruto com potentes ações antioxidante e anti-inflamatória. Os carotenoides também são importantes para manter a saúde dos olhos e, além disso, são precursores da vitamina A, que também apresenta função antioxidante e, ainda, é essencial para as funções do nosso sistema imunológico, ajudando a nos proteger contra infecções.  A vitamina E ajuda o organismo a se proteger dos radicais livres, moléculas que, em excesso, podem danificar nossas células e órgãos, predispondo ao envelhecimento precoce e a várias doenças, como as cardiovasculares e o câncer. Assim, consumir fontes alimentares de vitamina E é essencial para manter nosso corpo protegido. Nesse sentido, pesquisadores encontraram que a vitamina E do urucum é de alta qualidade, sendo uma excelente fonte alimentar dessa vitamina.

O urucum pode ser acrescentado em diversas preparações culinárias, como recheios, massas, carnes, vegetais, caldos, sopas e molhos, deixando-as mais nutritivas, saborosas, e com uma coloração linda. Uma forma muito prática de consumir o urucum no dia-a-dia é colocando em óleos e azeites, pois além se ser uma preparação fácil e rápida, ajuda a extrair ainda mais carotenoides e a vitamina E do urucum, aumentando o valor nutricional desses azeites e óleos.

Que tal experimentar uma receita de tempero prático com urucum para adicionar nas saladas, nos legumes cozidos, em carnes e que também pode ser utilizado para preparar um azeite aromatizado? Esse tempero possui todos os nutrientes do urucum, sendo ainda enriquecido com propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias de outros ingredientes naturais, como as ervas finas, especiarias e o alho. Ou seja, é um tempero cheio de aromas, cor, sabor, sendo, ainda, um grande protetor para nossas células!

Receita: Tempero antioxidante com urucum e especiarias

Ingredientes:

  •  2 colheres (sopa) de sementes de urucum moídas
  • 1 colher (chá) de orégano
  • 1 colher (chá) de salsinha picada
  • 1 pitada de pimenta-do-reino
  • 1 pitada de cúrcuma
  • ½ dente de alho amassado

Modo de preparo: Misture todos os ingredientes em uma vasilha e armazene em um vidro (de preferência escuro) bem tampado. Caso queira preparar um azeite aromatizado, acrescente em um vidro de 200ml de azeite de oliva extra virgem ou em outro óleo, como o de pequi e macaúba, 2 colheres (sopa) do tempero com urucum e deixe reservado por 2 dias antes da primeira utilização.


Já Mudou!

Novidades na Plataforma para Mapeamento de Experiências em Agroecologia no Brasil

Por Marcelo Soares Souza Agricultura Familiar e Agroecologia 

A plataforma Mapa da Agroecologia, uma ferramenta livre que permite o mapeamento de iniciativas em Agroecologia, está com novidades. A nova versão traz uma opção para a tradução do Site/Plataforma em mais dois idiomas (Espanhol e Inglês) além de um novo campo,onde é possível informar a disponibilidade de hospedagem para pessoa/grupo nos locais cadastrados.

A plataforma está em constante evolução e é aberta (livre); estamos sempre buscando parceiros para aprimorar o sistema, não somente fornecendo informações sobre os locais que já realizam experiências em Agroecologia, mas também com sugestões e dicas de como aprimorar a plataforma em si.

Essa plataforma, disponível como Software Livre*, foi oficialmente apresentada durante o VI Congresso Latino-americano de Agroecologia (#Agroecologia2017) que ocorreu em Brasília, DF. Conheça a Plataforma em funcionamento em https://mapadaagroecologia.org/ e adicione o local e a experiência que está realizando para que possamos fomentar novas redes de colaboração.

Através do código-fonte é possível customizar a plataforma e implantá-la em qualquer iniciativa que deseje mapear experiências de agroecologia no Brasil. O Código-fonte esta disponível em https://gitlab.com/ITBio3/agroecologia


Vamos Mudar?

Juventude Camponesa Do MPA promove campanha pelas Sementes Crioulas

Por Comunicação MPA

Os olhos atentos da juventude para o conjunto de sementes coloridas na plenária despertou o interesse para afirmarem que: cuidar das sementes crioulas também é um ato Revolucionário. Cerca de 120 jovens camponeses de todas as regiões do país, reunidos na quadra do sindicato dos Bancários em São Paulo na noite dessa quarta-feira (28), assumiram o compromisso com a Campanha “Cada Família adota uma Semente”, que tem como objeto incentivar a produção, defesa e a distribuição de sementes crioulas em todo o país.

As Sementes Crioulas não são somente os grãos, mas também são: plantas, animais, flores, árvores nativas, frutas, ervas, plantas medicinais e muitas outras variedades. As Sementes Crioulas são mantidas e selecionadas por várias décadas e gerações pelos camponeses e camponesas e povos tradicionais. Essas sementes fazem parte da origem da agricultura e da vida das famílias que vivem e produzem no campo. Isso é o que explica em sua fala Leonardo S. da Silva, “A juventude tem que seguir a procedência das Sementes Crioulas o que vem sendo ensinado por gerações para nós, jovens do campo. Isso foi ensinado pelos nossos antepassados e devemos manter essa criatividade viva da Semente Crioula e ir ensinando.” afirma o jovem camponês da região de Seberi, que participou do lançamento da Campanha.

A Campanha é uma ideia em torno da defesa e da reprodução das sementes crioulas; é fundamental para que esse bem não caia sob o controle do agronegócio e do capital. Sementes são um patrimônio dos povos a serviço da Humanidade.

A defesa das sementes sempre esteve na linha de frente da atuação da Via Campesina que em junho de 2002, durante a realização da Conferência Mundial da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), na Itália, decidiu implantar a campanha “sementes patrimônio do povo a serviço da humanidade”, como forma de resistência à invasão do capital internacional sobre o patrimônio genético dos camponeses e camponesas.

Como forma de fortalecer essa ação internacional, o MPA segue implementando, em todo o país, a Campanha “Cada Família Adota uma Semente”, tarefa que foi assumida pela juventude camponesa do MPA. Josi Costa, da coordenação do MPA, relembra a importância da campanha para a conjuntura do movimento: “O MPA, historicamente, tem na sua essência o compromisso e a responsabilidade com as Sementes Crioulas. Porque proteger as sementes é um ato revolucionário, não existe construção de revolução sem o controle genético das sementes, pois são elas que geram vidas, que alimentam. Não existe campesinato sem o cultivo de Sementes Crioulas”.

Estimuladas pela campanha, as famílias devem se tornar as guardiãs das Sementes Crioulas,   garantindo sua propagação. Depois de adotar uma determinada semente, cada família deve organizar sua reprodução e sua distribuição. A ideia é criar uma grande rede de sementes crioulas, recuperar as que estão escassas e ampliar a produção.


Brotar é Preciso

Descubra como fazer os brotos de girassol usados na Alimentação Viva      

Por Conceição Trucom  Doce Limão

Para mim, um brotário é um berçário de plantas: temos que ter todo o cuidado necessário para que tudo dê certo. Mas é muito regenerador, muito animador, para quem deles cuida e colhe. Vamos começar pelo broto de girassol, um dos que mais gosto, com seu sabor delicado de agrião, sua crocância, além de extrema beleza...

  1.  Compre a semente de girassol com casca da variedade miúda.
  2. Coloque 2 xícaras (chá) sobre uma bancada clara para fazer a catação de sementes quebradas, abertas ou vazias.
  3.  Coloque as sementes escolhidas (sadias) numa peneira e lave sob água corrente.
  4. Coloque em uma tigela de vidro, cerâmica ou porcelana, cubra com água filtrada e deixe hidratar por 6 a 8 horas.
  5. Passe novamente para uma peneira, escorra e lave bem as sementes.
  6.  Apoie a peneira sobre a tigela e deixe em germinação por 16 a 24 horas (até que surjam os narizinhos, mas não deixe que fiquem de tamanho maior que o comprimento da semente), lembrando-se de: a) deixar em local sombreado e longe de crianças e animais, b) lavar sob água corrente a cada 8 horas.
  7. Em separado misturar 4 partes de uma terra de humus de boa qualidade com 1 parte de areia do mar. Arrumar em bandejas ou potes com uma coluna de 2-3 dedos de altura de terra.
  8. Colocar as sementes germinadas sobre a superfície de terra, de tal forma que cubra toda a terra, mas que não fiquem sementes muito amontoadas.
  9. Deixe as primeiras 8 horas em local escuro para que facilite o enraizamento.
  10. Na sequência colocar as bandejas em local bem iluminado de luz solar, porém protegido de vento e luz muito direta, pois irá desidratar rapidamente as sementes e a terra, e os brotos irão morrer antes de vingar.
  11. Pulverize com um borrifador as bandejas uma ou duas vezes por dia. O excesso de água irá apodrecer as sementes, e dar fungos nas raízes.
  12. Caso surja algum fungo, bem no início do plantio, jogue um pitada de areia do mar sobre eles, que desaparecerão em um par de horas.
  13. Colha os brotos quando alcançarem de 12 a 16 cm. Acima de 16 cm eles não são adequados para consumo alimentar, mas para plantio e viveiros.

Bom apetite!


Semeando

Feiras, festivais, seminários e vivências sobre agroecologia animam a agenda!

A partir de abril – Está no ar a campanha de financiamento coletivo para o IV Encontro Nacional de Agroecologia. A atriz Letícia Sabatella, apoiadora da agroecologia, explica a importância de contribuir para a campanha, tanto para o campo, quanto para a cidade. Os recursos arrecadados serão utilizados para custear infraestrutura, logística e comunicação do encontro. Veja as recompensas e contribua!

Dias 22, 28 e 29 de abril – Conheça mais sobre o cambuci e outras plantas da mata atlântica no Sabores da Terra - Festival do Cambuci de Paranapiacaba. O evento terá oficinas, produtos agroecológicos, comidinhas e vivências sensoriais.

Dias 28 a 30 de abril – O Seminário Agroecológico da Produção Orgânica (SAPO) será realizado para promover a reflexão e a troca de saberes e experiências entre pesquisadores e praticantes da agroecologia. Ele ocorrerá em Piracicaba, será gratuito e um dos destaques é a conversa sobre abelhas nativas com a SOS Abelhas Sem Ferrão. Participe!

Dia 29 de abril – A Casa Jaya irá oferecer o curso Kombucha, o Elixir da Saúde, abordando as técnicas de cultivo, os equipamentos e utensílios que facilitam a produção, além de diversas receitas saborosas. Os participantes vão ganhar uma apostila com orientações para seguirem adiante após a palestra.

Dias 3 a 6 de maio – O Parque da Água Branca irá sediar, pela terceira vez, a Feira da Reforma Agrária, oferecendo aos visitantes um conjunto de atividades agroecológicas e culturais, além de uma imensa variedade de produtos cultivados em assentamentos de todo o país. É uma verdadeira festa da biodiversidade e da economia solidária. Prepare-se para descobrir nosso patrimônio alimentar e traga suas sacolas para as compras.

Dia 6 de maio – A Feira Las Plantas faz edição especial, celebrando o encontro de artistas produtores do universo verde para prospectar amor às plantas com um toque especial para o dia das mães.  O evento será na Casa Jaya das 10 às 18hs, programe sua visita!

Dias 2, 9, 16, 23 e 30 de maio – O Ciclo de Palestras: A Biodiversidade Brasileira - Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Amazônia e Pantanal irá rolar na UMAPAZ para apresentar as características de cada bioma e como é possível proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres.

Dias 14 a 18 de maio – Vai ser realizada a IV Semana da Agroecologia: Redes e Rumos da UFSCAR, promovendo o diálogo entre os saberes populares e o conhecimento científico para a construção de caminhos acadêmicos, práticos e políticos. O evento ocorrerá em Araras e é organizado pelo CAAMP - Centro Acadêmico Ana Maria Primavesi.


CSAção

CSA Brasil: Da cultura do preço para a cultura do apreço!       

Por Claudia Vivacqua de Figueiredo CSA Brasil

As Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA) são um ótimo ambiente para treinarmos uma nova prática econômica e social, baseada na ética e na confiança. Não falamos mais em compra e venda, em lucro e economia de mercado; o importante são as necessidades de quem planta e de quem necessita e quer comer alimentos saudáveis e sustentáveis.

Não falamos mais em preço e sim em APREÇO! Apoiamos o Organismo Agrícola, no qual o Agricultor está inserido, de forma que sua manutenção fique garantida e o Agricultor nos forneça seus alimentos toda semana. Dividimos os custos anuais deste Organismo, ou seja, o valor anual para o custeio da produção é calculado, dividido em 12 meses e, então, o valor mensal obtido é dividido pelo número de participantes.

Dessa forma saímos da cultura do preço, pois, quando recebo meus alimentos, sei com quanto estou contribuindo para a manutenção da Agricultura e deixo de me preocupar com o valor de uma cenoura ou alface. Criamos uma economia de cooperação, apoio mútuo, em que temos a consciência de que o que nós necessitamos é feito por outras pessoas e nós também suprimos as necessidades dos outros.   Uma economia em que o ser humano é o centro, em que a finalidade do trabalho não é vender um produto por dinheiro. O dinheiro se torna uma ponte que propicia esta nova forma de se praticar economia. Assim saímos da cultura do Preço para a cultura do Apreço. Linda palavra com que nossa língua nos presenteia: A- Preço, sem preço, sem valor de mercado e apreciado.

Desenvolvemos Apreço pelos nossos alimentos e por quem os planta!!!


Cuidado: Veneno!

Publicação do Greenpeace analisa os danos do modelo baseado em agrotóxicos no país

Por Benjamin Prizendt   C. P. C. A. P. V. e MUDA-SP

O Greenpeace – Brasil lançou, em outubro de 2017, o livro Agricultura tóxica: um olhar sobre o modelo agrícola brasileiro. Trata-se de uma obra que disseca o modelo agrícola de nosso país, assinalando as principais etapas do desenvolvimento da agricultura no Brasil.

Ainda hoje, esse modelo é fortemente marcado por nosso processo de colonização: temos extensas propriedades rurais em que predominam as monoculturas de grande escala. Primeiramente, os anos 1950 expandiram a fronteira agrícola, promovendo o aumento da produção de alimentos. Já na década seguinte, o país viria a se inserir no comércio exterior com a prioridade de sua industrialização e a modernização da agricultura, com a introdução e ampliação do uso de tratores, fertilizantes e pesticidas.

Esse processo se agrava, nos dias atuais, por meio da intensa expansão da agropecuária, do uso desmesurado de agrotóxicos e da introdução irresponsável dos OGM (organismos geneticamente modificados), com impactos negativos sobre nossa sustentabilidade social, econômica e ambiental. E é nessa linha de discussão que o Greenpeace, desde 1990, vem pautando seu questionamento sobre o modelo agrícola brasileiro.

Mas (e aí o livro do Greenpeace mostra a que veio) trata-se de reconhecer o movimento da agricultura camponesa familiar como alternativa sustentável para a nossa agricultura, ao contrário do modelo convencional, estruturado no mercado de commodities agrícolas, que é um grande consumidor de recursos naturais, tem efeitos deletérios sobre o meio ambiente e fomenta a concentração de renda. Frente à problemática da segurança alimentar, o livro propõe a transição para a agroecologia, como demanda não só brasileira, mas mundial, rumo a “um futuro alimentar mais saudável... tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente”.  

 


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