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Sentir fortes dores abdominais após o consumo de alimentos gordurosos pode indicar problemas na vesícula biliar. A vesícula biliar é um pequeno órgão que compõe o aparelho digestório, tendo como função o armazenamento e controle da liberação de bile. Esta, por sua vez, é uma substância produzida pelo fígado, que age na emulsificação das gorduras e do colesterol, de forma que estes possam ser absorvidos pelo intestino.

A litíase biliar, ou seja, a presença de pedras na vesícula tem prevalência de até 20% nos adultos; 50% dos idosos têm cálculos aos 75 anos de idade. Os defeitos metabólicos e da secreção de lipídios biliares, a disfunção da vesícula biliar e a precipitação de colesterol e sais de cálcio estão entre os fatores envolvidos na formação das pedras biliares. O aumento da produção de colesterol ocorre nos indivíduos obesos, nas usuárias de anticoncepcionais orais, na gravidez, no envelhecimento, na diabetes e na perda de peso acentuada. Estas alterações levam a supersaturação de colesterol na bile com formação de cristais na vesícula biliar e consequente obstrução do canal da vesícula. Por fim, esses cálculos podem ainda provocar pancreatite e até neoplasias.

A edição nº 98 da revista Viva Saúde apresentou uma reportagem sobre a retirada da vesícula. O texto explica que, caso haja a presença de pedras na vesícula, a única solução é a remoção cirúrgica do órgão. No entanto, o que a Nutrição é capaz de fazer para evitar a formação dessas pedrinhas?

Como o fígado é o órgão responsável pela formação da bile, é necessário prestar uma grande atenção ao mesmo. A presença massiva de xenobióticos na dieta ocidental, como aditivos alimentares, migrantes de embalagens de produtos alimentícios, além do álcool, medicamentos e poluentes ambientais, acaba por inundar o fígado com toxinas. Estas toxinas irão causar aumento na produção de radicais livres, os quais provocam danos aos hepatócitos. Dessa forma, é importante o consumo de alimentos ricos em nutrientes capazes de “desintoxicar” o fígado e reduzir a inflamação gerada pelo ataque dos radicais livres às células hepáticas, além de reduzir a exposição aos xenobióticos o máximo possível.

O consumo de frutas e verduras é reconhecido como fundamental na prevenção e tratamento de diversos tipos de doenças da modernidade. Além de fibras, vitaminas, minerais e água, uma gama de compostos não nutricionais de ação antioxidante são encontrados nesses alimentos.  A família das brássicas, composta, por exemplo, pelo repolho, brócolis, couve-manteiga e agrião, possui glicosinolatos, substâncias antioxidantes com propriedades de acelerar a eliminação de compostos tóxicos presentes no fígado. Além das brássicas, outros alimentos possuem, em sua composição, substâncias importantes para a proteção dos hepatócitos, como o açafrão, alecrim, chá verde e alho. Flavonoides, como rutina e quercetina, encontradas na cebola roxa, por exemplo, ainda atuam na redução das alterações enzimáticas do fluxo biliar.

Dessa forma, novamente, demonstra-se a importância que uma alimentação correta exerce na prevenção de doenças cada vez mais comuns na sociedade moderna. Medidas simples podem evitar que uma porcentagem considerável dos adultos e futuros idosos vá parar na mesa de cirurgia.

*Texto elaborado pelo Dr. Guilherme Barros Fernandes, aluno bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

Em 2001, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) criou o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) com o objetivo de estruturar um serviço para avaliar a qualidade dos alimentos e implementar ações para o controle de resíduos de agrotóxicos. Desde então, anualmente a ANVISA libera a lista dos alimentos que mais apresentam resíduos de agrotóxicos e os classifica da seguinte maneira:

• Agrotóxicos não autorizados (NA) para as culturas monitoradas;

• Agrotóxicos autorizados para determinada cultura;

• Resíduo encontrado acima do limite máximo permitido (LMR);

Segundo a lista divulgada em dezembro pela ANVISA (disponível na íntegra no link: http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/55b8fb80495486cdaecbff4ed75891ae/Relat%C3%B3rio+PARA+2010+-+Vers%C3%A3o+Final.pdf?MOD=AJPERES), 92% das amostras de pimentão foram consideradas insatisfatórias com relação à quantidade (limite máximo permitido) e ao tipo de agrotóxico utilizado (não autorizado para a cultura). Em 2010 o PARA monitorou 18 alimentos: abacaxi, alface, arroz, batata, beterraba, cebola, cenoura, couve, feijão, laranja, maçã, mamão, manga, morango, pepino, pimentão, repolho e tomate. A escolha das culturas baseou-se nos dados de consumo obtidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na disponibilidade destes alimentos nos supermercados das diferentes unidades da Federação e no uso intensivo de agrotóxicos nestas culturas.

Há dois pontos cruciais e que devem ser levados em conta por nós nutricionistas. Desde 2008, ocupamos o posto de país que mais utiliza agrotóxicos no mundo. O segundo ponto é que dos 50 princípios ativos mais usados em agrotóxicos no Brasil, 20 já foram banidos na União Europeia e em diversos países. No caso do pimentão, o composto encontrado, Endossulfan, presente em 85% das amostras, é proibido em 44 países, dentre eles EUA e na China. A ANVISA reavaliou o composto em 2010 e o mesmo será banido do país até 2013.

Mas por que tanto alarde em relação a agrotóxicos? Por que a recomendação cada vez mais recorrente em se consumir preferencialmente alimentos orgânicos?
A médica e pesquisadora da Fiocruz, Dra. Lia Giraldo, coordena um grupo de pesquisadores responsáveis por revisar os estudos científicos existentes sobre onze agrotóxicos, que estão em processo de reavaliação pela ANVISA. A mesma afirma categoricamente que inúmeras são as evidências dos malefícios dos agrotóxicos. Quando questionada sobre como aparecem essas evidências, a mesma afirmou que “são evidências clínicas através de doenças, agravos, sintomas, efeitos como abortamento, distúrbios cognitivos, de comportamento, morte, manifestações de neoplasias, tumores, distúrbios endócrinos. E muitas vezes os médicos não associam essas evidências com a exposição aos agrotóxicos, não registram isso, não informam e os sistemas de informação não incentivam e não capacitam os profissionais. Então, há todo um sistema de ocultamento de risco”.

Ou seja, dessa forma, quando se consegue fazer o diagnóstico e documentar, acaba por ficar como um caso isolado. A Dra. Lia brinca dizendo que o próprio pessoal da saúde pública chama veneno de remédio, “remédio para barata, para mosquito”, quando, na verdade, remédio é um conceito farmacológico de cura e não para ser utilizado no lugar da palavra veneno. Veneno é para matar uma praga que está atrapalhando a lavoura, não tem nada que ver com a saúde.

Pode parecer insignificante, mas ela afirma que tais confusões conceituais fazem parte desse processo de ocultamento de risco.  “Antigamente, esses produtos todos vinham com uma “caveirinha” para mostrar que eram perigosos. Hoje, as embalagens vêm com mensagens ecológicas, um bulário com uma linguagem muito sofisticada e de difícil interpretação, que as pessoas não conseguem entender. Boa parte dos nossos trabalhadores rurais é analfabeta ou semianalfabeta e não tem capacidade de entender o que está escrito”.

A maior parte dos estudos sobre efeitos dos agrotóxicos são experimentais, em laborátorios, com animais, com os protocolos que são estabelecidos pelas agências internacionais e, com esses estudos, as evidências são muito fortes.

Porém, em 2009, a ANVISA conseguiu uma liberação para reavaliação de 13 substâncias ativas. Com isso, estão procurando levantar evidências clínicas e epidemiológicas que justifiquem o banimento de tais substâncias. Algumas já foram banidas e outras estão nesse processo de reavaliação. Embora em menor quantidade, durante esse processo de reavaliação, encontraram muitas informações que mostram efeitos em populações expostas, em situações de pessoas que tiveram agravos e, nesses casos, o profissional que atendeu conseguiu estabelecer relações entre o agravo e a exposição ao agrotóxico.

Apenas para citar alguns dos possíveis efeitos de alguns agrotóxicos, temos:

• DDT, Endosulfan, Dieldrin e Clorado: Acumulam-se no leite materno. Segundo pesquisa da Organização Mundial de Saúde (2001), podem causar criptorquidia e hipospadia, irregularidades menstruais e efeito disruptor endócrino. Como já citado acima, o endossulfan foi proibido pela ANVISA em 2010 – a determinação é fundamentada em estudos toxicológicos que associam o uso desse agrotóxico, considerado extremamente tóxico, a problemas: 1) reprodutivos; 2) endócrinos; 3) imunológicos; 4) neurotoxicidade e 5) hepatotoxicidade: em trabalhadores rurais e na população.
• Compostos pirimidínicos: Inibem a produção de hormônios esteroides.
• Cihexatina: também banida pela ANVISA em 2010, pois estudos em laboratório com ratos, coelhos e camundongos mostram graves riscos à saúde. Os principais efeitos da cihexatina são má-formação fetal, em especial a hidrocefalia. As experiências provaram ainda risco de aborto, efeitos sobre o sistema reprodutivo, danos à pele, pulmões, visão, fígado e rins, entre outros. As doses em que apareceram esses efeitos nos animais sugerem que a cihexatina não é segura para os trabalhadores rurais, os consumidores das culturas tratadas e a população em geral.
• Triclorfom: já proibido em 2010 no Brasil porque a ANVISA detectou vasta literatura evidenciando efeito disruptor endócrino e neurotóxico (hipoplasia cerebelar).
• Metamidofós: a literatura evidencia efeito neurotóxico (alterações psiquiátricas, doença de Parkinson).
• Glifosato: pesquisa realizada em 2010 pelo Laboratório de Embriologia Molecular da Universidade de Buenos Aires (UBA), e publicada na Chemical Research in Toxicology, evidenciou que o mesmo pode causar microftalmia (olhos menores que o normal), microcefalia (cabeças pequenas e deformadas), ciclopia (um olho só, no meio do rosto), más-formações craniofaciais (deformação de cartilagens faciais e craniais) e encurtamento do tronco embrionário. E a pesquisa não descartou que, em etapas posteriores, se confirmem más-formações cardíacas. Estudos já comprovaram que a placenta humana é permeável ao glifosato.

A preocupação maior, principalmente por parte dos endocrinologistas, é com relação aos efeitos nos fetos e nas crianças. Vários estudos estão evidenciando efeitos dos pesticidas na embriogênese.

Em 2010, um artigo publicado na revista Pediatrics sobre a relação de pesticidas e distúrbios de comportamento, descobriu uma ligação entre a exposição a pesticidas e a presença de sintomas de Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade. O estudo foi realizado com 1139 crianças, de acordo com uma amostra da população geral dos EUA, e mediu os níveis de pesticidas em sua urina. Os autores concluíram que a exposição a pesticidas organofosforados, em níveis comumente encontrados em crianças nos EUA, pode contribuir para o diagnóstico de TDAH.

Em uma pesquisa publicada na Revista Pediatría em 2010, um órgão oficial da sociedade Paraguaia de Pediatria evidenciou que crianças são suceptíveis a alterações celulares em decorrência da exposição a agrotóxicos. Participaram do estudo 48 crianças potencialmente expostas a agrotóxicos e 46 não expostas. Obtiveram-se amostras da mucosa bucal para determinar o dano no material genético, através da frequência de micronúcleos. Encontrou-se, no grupo potencialmente exposto a agrotóxicos, uma média maior de micronúcleos e de células binucleadas, bem como uma maior frequência de fragmentação nuclear (cariorréxis) e picnose, que são processos típicos de células necróticas.

Bem, as cinco maiores produtoras de agrotóxicos têm fábricas no Brasil e querendo ou não, nosso país ainda é um país agrário, a bancada ruralista tem um poder sobre as massas, dando a entender que sem “defensivos” agrícolas, o brasileiro comerá mal, ou seja, a produção será insuficiente. Paradoxalmente, o consumo de agrotóxicos aumenta, o Brasil produz cada vez mais alimentos “poluídos” e o brasileiro está mais carente de nutrientes. Como explicar?

*Texto elaborado pela Dra Carolina de Morais Luiz Pereira, aluna bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Esportiva Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

Recentes reportagens indicaram diversos alimentos benéficos para controlar as taxas de triglicerídeos, colesterol, glicemia e pressão arterial. Especificamente dos triglicerídeos, que não podem faltar na dieta, os alimentos, segundo esses dados, são: salmão, farinha de feijão branco, limão, berinjela e nozes.

Mas será que todos esses alimentos são realmente benéficos para o controle das taxas de triglicerídeos? Vamos analisar um a um:

• Salmão: está incluído na lista por ser fonte de ômega-3. De fato, o consumo de ômega-3 mostra muitos benefícios para o controle das taxas desse tipo de gordura. Isso ocorre porque esse ácido graxo aumenta a remoção dos triglicerídeos, se mostrando muito eficaz no tratamento de hipertrigliceridemia. Porém, o salmão, como qualquer outro peixe de médio e grande porte, possui contaminação por mercúrio, um metal tóxico para nosso organismo. Além disso, grande parte do salmão disponível para o consumo no Brasil é o de cativeiro, e não o selvagem que consome as algas presentes no fundo do mar, podendo apresentar menor quantidade de ômega-3. Para substituí-lo, uma ótima opção é a sardinha, que além de ser um peixe de tamanho pequeno, com menor risco de contaminação por mercúrio, tem quantidades de ômega-3 similares às do salmão.

• Farinha de feijão branco: foi incluída na lista por ter em sua composição a faseolamina, que é uma glicoproteína que impede a absorção de aproximadamente 15% dos carboidratos consumidos. Sua ação é inibir a enzima responsável pela digestão do amido, conhecida como alfa-amilase. Porém, como a farinha de feijão branco é preparada a partir do feijão cru, não há eliminação da lectina presente no grão. A lectina é um fator antinutricional que causa microlesões no intestino, e que pode ser inativada, pelo menos em grande parte, fazendo-se o processamento térmico do feijão. Portanto, a faseolamina apresenta potencial para melhorar as taxas de triglicerídeos. Mas o consumo de feijão cru é prejudicial à saúde do intestino.

• Limão: o limão é citado por seu conteúdo de polifenóis com ação antioxidante. O ascorbato (forma ionizada da vitamina C), a hesperidina e outros flavonoides são os principais responsáveis pelo poder antioxidante do limão e é justamente esse poder que confere benefícios no controle das taxas de triglicerídeos. Entretanto, alimentos cítricos possuem uma substância chamada octopamina, que pode causar sintomas como dor de cabeça em pessoas sensíveis. Além disso, podemos encontrar a vitamina C e os outros flavonoides presentes no limão em outros alimentos que não sejam cítricos, como a goiaba e a acerola.

• Berinjela: é citada pelo seu poder adstringente, ou seja, funcionar como detergente das gorduras ingeridas, diminuindo sua absorção. Sabe-se que a berinjela é rica em compostos fitoquímicos que também atuam como antioxidantes, podendo, por este motivo, auxiliar no controle do perfil lipídico de uma maneira geral. Dessa forma, não possui ação comprovada isoladamente na redução das taxas de triglicerídeos, atuando apenas como fonte de nutrientes importantes, assim como outros vegetais.

• Nozes: possuem atividades anti-inflamatórias e antioxidantes. As nozes, assim como outras oleaginosas, exercem vários efeitos benéficos para o controle das taxas de gordura no organismo. Além do poder antioxidante, são ricas em fibras, que diminuem a absorção de carboidratos e outros nutrientes que em excesso, podem aumentar as taxas de triglicerídeos no sangue; são ricas em fitosteróis, exercendo, portanto, papel no controle do colesterol e cortisol (hormônio aumentado em situações de estresse); e ricas no aminoácido arginina, que tem ação vasodilatadora. Portanto, seu consumo se mostra interessante no controle não só dos triglicerídeos, como também exerce outros benefícios para a saúde.

Quando pensamos em taxa de triglicerídeos aumentada, devemos pensar em desequilíbrio entre a ingestão e metabolização de glicose, podendo ser resultado da ingestão excessiva de glicose (carboidratos) ou da ineficiência na ação da insulina. Para isso, diversos nutrientes são importantes para melhorar a ação da insulina, como também melhorar outros fatores que causam ou agravam a resistência à insulina, como por exemplo, a inflamação. Dessa forma, devemos pensar no tratamento de forma integral, não havendo apenas um ou dois alimentos “milagrosos”. O que já está comprovado para reduzir as taxas de triglicerídeos, como também para prevenir doenças cardíacas é: reduzir consumo de gorduras saturadas e de carboidratos simples, aumentar consumo de peixes e linhaça (devido ao conteúdo de ômega-3) e tratar a resistência à insulina, através de carboidratos de boa qualidade e em quantidade adequada e frutas, verduras e legumes em abundância, de forma a garantir os micronutrientes necessários.

*Texto elaborado pela Dra. Camila Gomes Komatsu, aluna bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

A síndrome metabólica engloba a presença de pelo menos três componentes, dentre os descritos a seguir: o excesso de peso associado ao acúmulo de gordura na região abdominal (obesidade abdominal ou visceral), triglicerídeos elevados, HDL-colesterol baixo, hipertensão arterial e glicemia de jejum elevada. Para se obter o diagnóstico de síndrome metabólica, é necessária a presença de obesidade abdominal como condição essencial e dois ou mais dos critérios expostos.

A presença de inflamação e a maior liberação de citocinas inflamatórias provocam um aumento de 5 a 10 vezes no risco de desenvolver Diabetes Mellitus do tipo II e de 2 a 3 vezes no risco para a doença cardiovascular. No entanto, a alimentação adequada, associada a outras modificações no estilo de vida, tais como prática regular de atividade física e abandono do tabagismo, contribui para um melhor controle da doença, prevenindo suas complicações e aumentando a qualidade de vida.

Dessa forma, segundo a reportagem publicada no site da revista Veja, o consumo de uma dieta rica em fibras está associado a um menor risco de doenças cardíacas e diabetes tipo II em adolescentes. O estudo no qual se baseou a reportagem afirma que o maior consumo de alimentos ricos em fibras e em nutrientes é mais eficaz na redução dos fatores de risco para síndrome metabólica.

As fibras dietéticas são a parte não digerível do alimento vegetal, a qual resiste à digestão e absorção intestinal, porém com fermentação completa ou parcial no intestino grosso. As fibras provenientes da dieta afetam a função gastrintestinal e ainda interferem no metabolismo e na redução do risco de doenças degenerativas, por promover a diminuição dos níveis de colesterol. Para isso, estimulam a excreção de sais biliares e diminuem a absorção de gorduras. Outra ação importante é o controle dos níveis de glicose e insulina no sangue. Isso se deve pela diminuição da velocidade de esvaziamento do estômago. Para auxiliar na prevenção do aparecimento de doenças crônicas relacionadas à dieta, a OMS recomenda o consumo de pelo menos 20-30 g de fibras por dia, na dieta.

A terapia nutricional nos pacientes portadores de síndrome metabólica deve focar no controle glicêmico, reduzir os fatores de risco cardiovasculares e, principalmente, controlar os elevados níveis de inflamação. A fibra dietética, como menciona o estudo, exercerá papel importante no tratamento da síndrome metabólica. No entanto, vale ressaltar que nos alimentos fontes de fibra, como frutas, verduras e legumes há também uma enorme quantidade de vitaminas, minerais, fitoquímicos e outros compostos bioativos que irão reduzir a produção de radicais livres e o processo inflamatório, além de atuar na modulação do metabolismo do organismo, restabelecendo seu equilíbrio.

*Texto elaborado pelo Dr. Guilherme Barros Fernandes, aluno bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

Texto elaborado sobre a matéria “Suplementação: aliada ou vilã?”, na edição 255 da revista Corpo a Corpo

Nesta época do ano, muitas pessoas recorrem a suplementos alimentares com promessas milagrosas para atingir o peso desejado e entrar no tão sonhado “biquíni de lacinho”. O objetivo normalmente é perder o peso “conquistado” em meses ou anos de alimentação inadequada e sedentarismo no menor prazo possível. De fato, alguns suplementos podem, sim, auxiliar neste processo – desde que utilizados corretamente, com a indicação de um profissional capacitado e associados a uma dieta adequada. No entanto, se utilizados sem orientação, eles podem trazer prejuízos não só para o seu bolso, mas também para a sua saúde.

- Eficácia
Muitos dos suplementos vendidos nas farmácias ou lojas especializadas não passaram por testes em humanos que comprovam sua eficácia. Alguns não demonstram, sequer, resultados em animais. Um exemplo é o óleo de cártamo que, apesar de ser vendido para auxiliar na perda de peso, até o momento não possui comprovação científica para este fim. Portanto, antes de comprar cápsulas com promessas milagrosas, procure se informar com profissionais se estudos científicos rigorosos comprovam os efeitos prometidos.

- Efeitos colaterais
Por mais que suplementos e fitoterápicos sejam alternativas mais “naturais”, eles têm compostos ativos que alteram as reações bioquímicas do nosso organismo. Por isso, mesmo sendo “naturais”, podem trazer efeitos colaterais indesejados. Muitas vezes os efeitos já foram observados em estudos; outras vezes, entretanto, ainda são desconhecidos, mas podem aparecer se o suplemento for utilizado por um período de tempo maior. Isso ocorre porque normalmente a duração dos estudos é curta demais para que os efeitos colaterais apareçam. Por isso, mesmo os suplementos já testados podem trazer prejuízos à saúde se forem utilizados por muito tempo.

- Individualidade bioquímica
Nem todos os suplementos são eficazes para todo mundo. O excesso de peso possui diversas causas diferentes e o tratamento mais eficaz é aquele que consegue atingir a verdadeira causa do problema. Por exemplo: se o seu principal problema é a ansiedade e a vontade excessiva de comer doces, pouco adianta tomar um suplemento que aumenta a saciedade. Se o problema é o consumo excessivo de gorduras, pouco adianta tomar um suplemento que diminui a absorção de amido/carboidrato. Por isso, é essencial a avaliação de um profissional para identificar qual é a verdadeira causa do excesso de peso e fazer a escolha certa do suplemento para o seu caso.

Além disso, a suplementação deve ser dosada de acordo com as características e rotina de cada pessoa – hábitos alimentares, intensidade, horário e duração da atividade física, peso, problemas de saúde, deficiências nutricionais e histórico familiar de doenças. Caso sejam administrados da maneira incorreta, os suplementos podem ter seus efeitos anulados, ou até causar reações indesejadas. Alguns suplementos para diminuir a ansiedade, por exemplo, se tomados com alimentos proteicos terão pouco ou nenhum efeito. Outro exemplo são os termogênicos, que podem causar distúrbios do sono, dependendo do horário em que forem consumidos, ou até mesmo alterações na pressão arterial, dependendo do indivíduo. A avaliação de um profissional é essencial, portanto, para escolher não apenas o suplemento mais adequado, mas também a dose, o horário e o período adequado para o seu consumo.

- Mudança de hábitos
Pouco adianta tomar suplementos sem modificar o estilo de vida. Se tomados sem qualquer mudança na rotina alimentar e na atividade física, por mais que tragam resultados positivos, quando o suplemento é suspenso o ponteiro da balança volta a subir. Por isso, se utilizados isoladamente, sem modificações nos hábitos de vida, os suplementos não são eficazes a longo prazo.

Apesar de todas essas ressalvas, se utilizados com a orientação de um profissional capacitado e associados a um programa de re-educação alimentar e atividade física, alguns suplementos podem ser ótimos aliados para a perda de peso; especialmente quando se atinge um platô em que as mudanças na dieta e na atividade física não surtem mais tanto efeito.

Só não se esqueça que não existem fórmulas milagrosas para a perda de peso. O que existem são apenas aliados da boa e velha conhecida mudança de estilo de vida.

*Texto elaborado pela Dra. Gisele Pagliarini Silva, aluna bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

O ganho de peso e obesidade, por refletir não somente na estética, mas também na saúde, movimenta a indústria farmacêutica e alimentícia na busca de medicamentos, suplementos e alimentos que ajudem no controle de peso. Particularmente, a inclusão de alimentos com propriedades que influenciam a saciedade, a absorção de nutrientes e a composição da microbiota intestinal têm uma apelo mercadológico grande por serem estas as principais vias relacionadas com a dificuldade de perda de peso. Além disso, por se tratar de alimentos, acredita-se que a ocorrência de efeitos colaterais é menor.

A reportagem “Farinha emagrece” da revista Corpo a Corpo (edição 260 de 2010) destaca alguns alimentos que, quando transformados em farinhas, com a intenção de facilitar a inclusão dos mesmos nas refeições, podem ajudar na perda de peso. Obviamente, não é a inclusão pura e simples de uma dessas farinhas que emagrece, mas o conjunto de medidas e mudanças de hábitos associados ao consumo habitual das mesmas. Em geral, essas farinhas são ricas em fibras, que classicamente têm a maior fama de ajudar na saciedade em comparação aos produtos à base de farinhas refinadas, pobres em fibras. O diferencial delas é a presença de algumas substâncias com propriedades específicas.

De todos os tipos de feijões encontrados no mercado, o feijão branco, Phaseolus vulgaris, é o que menos está presente na mesa do brasileiro. Mas a presença de faseolamina, uma substância com capacidade in vitro de inibir a atividade da enzima alfa-amilase, tem sido a justificativa para o incentivo do seu consumo por aqueles que desejam perder peso ou mesmo melhorar o controle da glicose sanguínea. A alfa-amilase é uma enzima normalmente secretada na saliva e pelo pâncreas para digerir o amido presente nos alimentos fontes de carboidratos complexos (arroz, pão, macarrão, biscoitos, bolos, trigo, milho, batata), transformando-o em partículas menores que podem ser absorvidas e fornecer calorias para as células. O raciocínio dos pesquisadores é que a inibição dessa enzima, com o uso de “bloqueadores de amido”, preveniria a digestão desse tipo de carboidrato e, consequentemente, reduziria a absorção de glicose, potencialmente ajudando a promover a perda de peso e o controle da glicemia.

Na década de 80 houve um boom dos “bloqueadores de amido” com mais de 200 produtos diferentes e um consumo de 1 milhão de tabletes ao dia. Na época, alguns estudos não conseguiram confirmar a alegação de reduzir a absorção de calorias, como aquele que mediu a excreção fecal de calorias com e sem o uso de inibidor de alfa-amilase e não encontrou diferença, enquanto era esperado um teor de calorias maior nas fezes, após o uso do inibidor.

A maioria dos estudos mais atuais utiliza o extrato de feijão branco, no qual o feijão é moído, deixado de molho em água por algumas horas, e o líquido é filtrado e concentrado para administração em cápsulas e em doses de 1000-2000mg ao dia, associado ou não a alguma intervenção dietética. No entanto, embora os estudos mostrem uma tendência do grupo que utiliza o extrato a uma perda maior de peso e de medidas da cintura, principalmente entre os indivíduos que apresentam maior ingestão total de carboidratos, essa diferença não atinge significância estatística. Um estudo realizado com humanos na Itália encontrou perda de peso significativa, possivelmente porque padronizou o extrato para conter no mínimo 3000 unidades de inibidor de alfa-amilase, uma informação não oferecida e possivelmente não controlada em outros estudos. Em estudos com animais, a diferença na glicose e perda de peso é significante, possivelmente porque utilizam doses do inibidor de alfa-amilase extraído e purificado do feijão branco, e não a farinha de feijão branco.

Portanto, apesar de ser um alimento, o feijão branco cru na forma de farinha pode promover alguns efeitos indesejáveis. É importante saber a procedência da farinha, a forma como ela é produzida, o quanto de substância ativa ela apresenta, se foi feita a partir do feijão cru, se existe alta atividade de inibidor de tripsina e lectinas e a quantidade a ser ingerida para obtenção dos efeitos desejados, sem prejuízos para a saúde intestinal. Além disso, estudos que comparam o uso habitual de feijão branco cozido com o consumo da farinha ou o extrato em cápsula seriam importantes para comprovar de fato esses mecanismos.

Assim, mais uma vez, é importante ressaltar que não podemos acreditar que exista uma pílula ou alimento milagroso. A reeducação alimentar com adoção de hábitos alimentares saudáveis é essencial para a promoção e manutenção do peso saudável, devendo sempre contar com a supervisão e orientação de um profissional capacitado.

*Texto elaborado pela Dra. Tatiana Fiche, aluna bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

A edição nº 97 da revista Saúde!, publicada em Maio deste ano, trouxe a reportagem “O que fazer quando o estômago queima?”. A reportagem aborda sobre a forma de tratamento mais utilizada para acabar com a azia, ou seja, o uso de antiácidos. Esta classe de medicamentos, de fato, ajuda a aliviar o sintoma de queimação e dor. Porém, seu uso contínuo traz sérias consequências ao organismo, já que tem o objetivo de tratar o sintoma e não a causa.

O refluxo gastroesofágico, ou seja, a sensação conhecida como azia, é um sintoma decorrente do retorno dos ácidos estomacais para o tubo que conecta o estômago à boca, chamado de esôfago. Esse refluxo ocorre devido ao relaxamento do esfíncter esofagiano inferior (EEI), um músculo que tem como função controlar a passagem dos alimentos para o estômago. Neste caso, o músculo não se contrai adequadamente, permitindo o retorno do suco gástrico.

A maioria absoluta da população que apresenta este problema segue uma dieta bastante desequilibrada. Em muitos casos, o paciente consome quantidades elevadas de frituras, café, refrigerantes, bebidas alcoólicas e doces, além de concentrar grandes volumes de alimentos em uma única refeição. Todas essas condutas irão propiciar a diminuição da pressão do EEI, havendo assim o retorno do conteúdo gástrico, seguido dos sintomas do refluxo.

A questão é que para a população, e grande parte dos médicos, a solução é a introdução de medicamentos antiácidos. Os antiácidos têm como função neutralizar a acidez estomacal e, com isso, proporcionam alívio imediato aos sintomas de queimação. Para muitas pessoas, essa solução imediata é mais fácil do que adotar hábitos alimentares saudáveis, retirando os alimentos comumente consumidos, que promovem a agressão da parede do estômago.

O uso prolongado de antiácidos e inibidores de bombas de prótons (como Omeprazol®, Pantoprazol®) irá gerar uma alcalinização do conteúdo gástrico, ou seja, o suco gástrico perde sua acidez e, assim, há o comprometimento da digestão de proteínas, minerais como o Ferro, além de vitaminas como a B12. Com a “diluição” do conteúdo gástrico, a digestão fica comprometida e, assim, o alimento permanece por mais tempo no estômago, o que gera desconforto e sensação de empachamento. Além disso, a má digestão de proteínas favorece que macromoléculas mal digeridas penetrem pelo intestino e cheguem à corrente sanguínea, disparando a ação do sistema imunológico e o início de diversos processos inflamatórios que podem estar relacionados com a causa do refluxo.

Dessa forma, um dos passos iniciais do tratamento é investigar qual alimento pode desencadear essa resposta inflamatória. Ainda, reequilibrar a produção e concentração de ácido clorídrico estomacal e das enzimas essenciais para a digestão de todos os nutrientes através da utilização de chás digestivos como alecrim, cidreira, erva-doce, hortelã e também suco de Aloe vera, rico em enzimas digestivas e ainda com ação cicatrizante sobre a mucosa gástrica e intestinal. Finalmente, é necessária uma dieta livre de irritantes à mucosa, como frituras, café, álcool, refrigerante e outros alimentos industrializados, porém, rica em alimentos fontes de nutrientes reparadores e de crescimento da mucosa como zinco, vitamina E, vitamina A, vitamina B12, ácido fólico e vitamina C.

Para a Nutrição Funcional, tratar sintomas não é sinônimo de saúde. O tratamento nutricional visa eliminar a causa do problema, ou seja, devolver ao órgão o seu equilíbrio e funcionamento correto. Portanto, se você sofre de azia, queimação e má digestão, procure um profissional que poderá lhe ajudar a eliminar o seu desconforto.

*Texto elaborado pelo Dr. Guilherme Barros Fernandes, aluno bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

A semente de chia é a nova “comprovação” da ciência em termos de alimento saudável. Por essa razão ela vem aparecendo em várias reportagens e blogs sobre alimentação, como por exemplo, na sessão Prato Saudável da revista Boa Forma de outubro de 2011. Os principais benefícios já relatados são, principalmente, sobre as sementes da planta Salvia Hispanica ou chia, como está sendo mais chamada.

A Salvia Hispânica é uma planta originária da região andina do México e da Guatemala, com sementes ovais e pequenas de coloração variada (preta, marrom escura, branca ou cinza). Reza a lenda que os guerreiros maias consumiam apenas um punhado de suas sementes e guerreavam por 2 dias – por essa razão o nome chia, que significa força. Eles valorizavam tanto essas sementes que a utilizavam também como moeda.

Lendas à parte, os estudos de composição demonstraram que a semente parece ser uma boa fonte de ômega 3, antioxidantes, fibras e aminoácidos. Segundo a literatura, a composição varia de acordo com a origem da semente. Por exemplo, o teor proteico e a concentração de ômega 3 é maior nas sementes que crescem em regiões mais secas.

O perfil de aminoácidos (Isoleucina, Leucina, Valina, Lisina, Metionina, Fenilalanina, Treonina, Triptofano) da semente de chia permite que ela seja uma boa opção como fonte proteica.

Outra vantagem da semente é sua atuação no estômago, parecido com as mucilagens, que promove uma conversão mais lenta de carboidratos em açúcar, podendo ser, dessa forma, utilizado no auxílio do controle da glicemia sanguínea. Um estudo canadense1 evidenciou um auxílio na manutenção de um bom controle glicêmico e lipídico em pacientes portadores de diabetes tipo 2, previamente compensados.

Já um estudo feito em ratos2 mostrou que animais submetidos à dieta rica em sucrose, porém recebendo semente de chia, não desenvolveram hiperlipidemia nem resistência insulínica, mas os níveis glicêmicos não se alteraram. Os autores acreditam que isso seja decorrente da presença de ácido linolênico.

Por apresentar uma boa concentração de ácido linolênico, consiste em uma ótima fonte vegetal de ômega 3. Apresenta ainda os seguintes ácidos graxos: alfa-linoleico, oleico, esteárico, palmítico. Na literatura há estudos evidenciando que a suplementação de 3,7 a 4 gramas/dia reduziu a pressão arterial sistólica, níveis de PCR ultra-sensível e fator de Von Willebrand, além de elevar os níveis plasmáticos de EPA.

Por ser uma das principais fontes vegetais de ômega 3, torna-se um alimento auxiliar no tratamento de pacientes portadores de alergias, dislipidemias, insuficiência coronariana, risco cardiovascular elevado, diabetes tipo 2, situações em que há presença de resistência insulínica e/ou distúrbios endócrinos.  Entretanto, não há estudos científicos mostrando resultados em obesidade.

A presença de alguns antioxidantes (ácido clorogênico, ácido cafeico, miricetina, quercetina e flavonoides) torna a semente de chia um alimento com potencial anti-inflamatório, podendo ser utilizado em situações caracterizadas pela inflamação crônica. Estudos epidemiológicos indicam que um consumo adequado de flavonoides pode atuar positivamente na prevenção de algumas doenças, como as cardiovasculares, embolia, câncer de pulmão e de estômago.

Com relação à sua estabilidade, a oxidação na chia é de mínima a nula, mantém um grande potencial dentro da indústria alimentícia, comparada com outras fontes de ácido graxo alfa-linolênico, como a linhaça, que mostra uma decomposição rápida devido à ausência de antioxidantes próprios da semente.

Além do perfil de ácidos graxos, a chia possui boa concentração de minerais (potássio, cálcio, ferro, magnésio e fósforo), além de vitaminas (vitamina A, tiamina, riboflavina, nianica, cobalamina, ácido ascórbico e alfa-tocoferol).

Diante de todas essas vantagens, esse alimento pode ser visto como mais um coadjuvante na busca pela saúde e não como redentor e único responsável por um bom estado de saúde. Afinal, saúde é um estado dependente de vários fatores.

*Texto elaborado pela Dra Carolina de Morais Luiz Pereira, aluna bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Esportiva Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

A edição de Março de 2011 da Revista Saúde! publicou uma reportagem sobre os efeitos positivos do consumo de pimenta para o nosso organismo. A pimenta vermelha tem sua origem no Brasil (mais especificamente na Bahia) e no Peru, sendo seu descobrimento atribuído aos navegantes portugueses e espanhóis. A pimenta pertence às plantas do gênero Capsicum e nelas há um fitoquímico chamado capsaicina, responsável por garantir o sabor ardido do alimento.

Este ardor causado pela pimenta, no entanto, não agrada a maioria da população brasileira, sendo parte da culinária de alguns poucos estados. A reportagem da revista aborda a importância do consumo de pimenta na redução da pressão arterial. No entanto, a grande maiorias dos estudos apontam para as propriedades antioxidantes, anticarcinogênicas e antimutagênicas da capsaicina.

Este fitoquímico possui a capacidade de reduzir a quantidade de radicais livres no organismo por modular a formação de moléculas pró-inflamatórias através de ações sobre a ciclo-oxigenase (COX-2), prostaglandinas (PGE2) e fator de necrose tumoral (TNF-α), que estão associadas com doenças crônicas como diabetes, aterosclerose e câncer.

A capsaicina inibe a proliferação celular descontrolada, característica de células cancerosas, além de induzir a apoptose (morte) da linhagem de células malignas. Outro mecanismo inibitório do câncer pela capsaicina se dá através da inativação do NF-B, que é ativado em resposta a vários estímulos extracelulares, como citocinas inflamatórias, agentes infecciosos e irradiação ultravioleta. Uma vez ativado, o NF-B irá estimular a expressão de genes envolvidos em repostas imunológicas, inflamação e sobrevivência da célula cancerígena.

A capsaicina é encontrada na pimenta malagueta, cayenne, jalapeño, dedo-de-moça, entre outras. No entanto, a quantidade da substância varia de espécie para espécie. A recomendação é o consumo de até 30 mg/dia de capsaicina para que se obtenha o efeito terapêutico. Isso é equivalente a ingerir até 06 unidades da pimenta dedo-de-moça, 03 unidades de pimenta jalapeño ou até ½ pimenta malagueta. Além disso, os frutos de Capsicum são também fontes de vitaminas C, complexo B (tiamina, riboflavina, niacina e ácido fólico) e de vitamina A.

Assim, apesar de poucas evidências sobre os benefícios da pimenta no controle da pressão arterial, a capsaicina é um composto fenólico com grande ação antioxidante e anti-inflamatória. Dessa forma, este fitoquímico é mais uma arma disponível na alimentação para combater as doenças da modernidade.

* Texto elaborado pelo Dr. Guilherme Barros Fernandes, aluno bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

Ingredientes:
- 200 ml de suco de uva
- 200 ml de chá de dente de leão e centelha asiática
- Folhas de rúcula
- Pedras de gelo

Modo de preparo:
Chá concentrado: Aquecer 1 xícara de água (200ml), após levantar fervura adicionar uma colher de sobremesa de cada erva. Tampar e deixar descansando por 10 a 15 minutos. Colocar no congelador até esfriar.
Suco: Bater no liquidificador a rúcula, o chá e o suco de uva. Após alguns minutos adicionar os cubos de gelo e bater por mais 5 segundos.

*Receita elaborada pela Nutricionista Marcela Risi Descio