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* Texto elaborado pelo depto. científico da VP Consultoria Nutricional

Um dos tumores mais incidentes no mundo masculino, o câncer de próstata, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), fez 60 mil vítimas em 2012, e um total de 12.778 mortes no ano de 2010. O câncer é caracterizado como enfermidade multicausal crônica constituída por um crescimento desorganizado de células que tendem a perder sua diferenciação e sua prevenção, seja ele de qualquer tipo, tem sido cada vez mais estudada no campo científico. Este crescimento anormal de células de forma progressiva pode ir além de seus limites habituais e invadir tecidos adjacentes, levando ao acometimento de outros órgãos, processo este chamado de metástase, responsável pela principal causa de morte destes pacientes.

Uma reportagem publicada recentemente online no site IG, nos remete a uma entrevista que mostra os dez alimentos comprovados cientificamente que tem influência na prevenção do câncer de próstata: tomate, brócolis, linhaça, goiaba, cenoura, repolho, soja, mamão, couve-flor e melancia. Deste modo, fica evidente a preocupação da população masculina no que refere a este assunto – mas será que apenas estes estão relacionados a uma quimioproteção, ou é um conjunto de fatores que aliados interferem na progressão e prevenção deste tipo de câncer?

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não melanoma), sendo o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, e representa cerca de 10% do total de cânceres. Segundo o INCA a maior parte dos casos de câncer de próstata tem ocorrido em homens acima de 65 anos e é caracterizado por um crescimento lento e silencioso que ocorre com o passar dos anos. 

Fatores genéticos e ambientais (físicos, biológicos e químicos) estão relacionados ao desenvolvimento de uma célula tumorosa, formada inicialmente a partir da mutação ou por alguma ativação anormal de genes que controlam o crescimento e mitose celulares, chamados por sua vez de oncogenes. A ação destes genes específicos acarreta em uma proliferação desordenada da célula, seguida por uma série de mutações de genes. Estas células que sofrem mutação nem sempre levam ao câncer, podendo ser destruídas pelo sistema imune do indivíduo.

Evidências têm mostrado que entre outros fatores, a alimentação tem um papel importante nos estágios de iniciação, promoção e propagação do câncer, sendo que uma dieta adequada poderia prevenir de três a quatro milhões de casos novos de cânceres a cada ano. Diante disso, componentes dietéticos podem sim ser efetivos agentes quimioprotetores, ao reduzir o desenvolvimento do câncer por meio de vários mecanismos em diferentes fases da carcinogênese. 

Dos carotenoides que não exercem atividade pró-vitamina A, o licopeno tem um importante efeito protetor, especialmente no câncer de próstata, sendo que a maior fonte deste composto é o tomate, que quando cozido apresenta maior disponibilidade. Alguns estudos mostram que o consumo de tomate revelou reduzir do risco de câncer de próstata em indivíduos acompanhados por vários anos com aplicação de questionário alimentar. Um estudo realizado nos Estados Unidos identificou a concentração de licopeno no plasma sanguíneo e revelou que indivíduos com mais de 65 anos apresentavam uma relação inversa entre níveis de licopeno e risco de câncer de próstata, o que evidencia um provável efeito protetor do mesmo neste tipo de câncer. 

Além do licopeno, a vitamina E se mostra quimioprotetora do câncer de próstata conforme algumas pesquisas atuais. Um estudo com homens finlandeses revelou uma redução significativa dos casos de câncer de próstata nos indivíduos que receberam Vitamina E. Assim sendo, alimentos ricos em vitamina E como o gérmen de trigo (fonte mais importante), óleos de soja, arroz, algodão, milho e girassol, amêndoas, nozes e castanhas poderiam estar contribuindo para uma possível redução de risco destes tipos de câncer. Outra potente aliada contra o câncer de próstata segundo alguns estudos é a vitamina D, cujos estudos mostram que a deficiência pode levar a um aumento do risco de câncer de próstata.

Cultivados em solos ricos em selênio, os cereais integrais, castanha do Brasil, farelo de trigo, sementes de girassol e leguminosas, também podem conferir proteção contra certos tipos de cânceres, entre eles o de próstata, pois este mineral atua como antioxidante contra danos da integridade de membrana e da redução da hipermetilação do DNA. Outro possível aliado na proteção contra o câncer de próstata é o resveratrol, importante polifenol, encontrado principalmente nas cascas e sementes das uvas escuras, que pode agir em diferentes fases da carcinogênse (iniciação, promoção e propagação). 

Devido a sua constituição rica em nutrientes (folato, fibras, carotenóides e clorofila) e fitoquímicos, as crucíferas (repolho, a couve de Bruxelas, a couve-flor e o brócolis) têm sido amplamente estudadas em relação à prevenção do câncer. Estudos epidemiológicos tem mostrado associação inversa no consumo destes vegetais incluindo com o risco de câncer de próstata. Alguns estudos mostram uma redução de 41% do risco deste tipo de câncer nos homens que consumiam três ou mais porções destes vegetais por semana, em comparação ao grupo que consumia apenas uma vez. Acredita-se que este efeito protetor pode ser mediado, entre outros fatores, por produtos da hidrólise de glicosinolatos presentes nas crucíferas (indóis e isotiocianatos) por meio da atividade da glutationa S-tranferase (GST), que atua na fase II da destoxificação, contribuindo para inativação da carcinogênese e compostos cancerígenos reativos, de forma a proteger o DNA de danos causados por agentes nocivos. 

Pela sua composição rica em compostos fenólicos, vitamina C e minerais, o cranberry e seus produtos também têm sido relacionados a uma ação quimiopreventiva contra alguns tipos de câncer devido a sua ação antioxidante, ou seja, exercendo forte poder de proteção que deve ser considerado. Além disso, outros aliados importantes são o chá verde, a soja e a curcumina presente no açafrão. Os componentes bioativos do chá verde por exemplo, mostraram em alguns estudos reduzir a progressão do câncer de próstata nas fases iniciais, porém não nas posteriores; já a soja pode reduzir alguns marcadores inflamatórios. Por outro lado a curcumina, tem mostrado reduzir o adenocarcinoma da próstata in vivo. 

Diante destas informações uma alimentação saudável por meio de alimentos diversificados, ricos em vitaminas, minerais e compostos bioativos torna-se essencial na busca de melhor qualidade de vida e longevidade de uma população. Neste contexto, a busca de um efeito quimiopreventivo destes nutrientes e compostos específicos deve ser parte integrante de um acompanhamento nutricional diferenciado, cujo objetivo é suprir deficiências, manter qualidade de vida e prevenir patologias específicas. Assim sendo, uma alimentação nutricionalmente equilibrada, ou seja, com ingestão adequada de alimentos saudáveis e fontes de compostos bioativos importantes, além da modulação da saúde intestinal a fim de permitir melhor absorção destes nutrientes, aliado a atividade física regular e uma redução no consumo de alimentos pró-oxidantes seria uma estratégia potencial na prevenção dos variados tipos de câncer, inclusive o câncer de próstata. Ou seja, equilibrio e qualidade de vida sempre. 

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Texto elaborado pela Dra. Renata Alves - Nutricionista do Depto. Científico da VP Consultoria Nutricional

A ideia de que não ingerir carboidratos no período noturno pode potencializar o emagrecimento vem permeando por anos a sociedade moderna, que busca a todo custo o corpo perfeito muitas vezes com mudanças bruscas nos hábitos alimentares. A premissa de restringir o consumo de alimentos fonte de hidratos de carbono durante a noite é fundamentada no fato de que, enquanto dormimos, o nosso gasto energético encontra-se diminuído e, desta forma, uma produção exacerbada do hormônio insulina, desencadeada pelo consumo de alimentos altamente energéticos, pode estimular o ganho de peso corporal por um mecanismo chamado lipogênese – processo onde, através de uma série de reações, o excesso de glicose no sangue leva à síntese de ácidos graxos e o armazenamento destes sob forma de gordura.

Foi publicada recentemente uma matéria na revista “Saúde” intitulada “Carboidrato é bom à noite”, que ganhou grande destaque e atenção em todos os meios de comunicação nas últimas semanas. A matéria é baseada em um estudo publicado em outubro de 2011 realizado por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém. No estudo em questão, 78 policiais obesos foram divididos em dois grupos para receber ou uma dieta hipocalórica tradicional, ou uma dieta hipocalórica com consumo de carboidratos preferencialmente no período noturno. Como resultado, os autores encontraram que os participantes que consumiram carboidratos à noite apresentaram medidas de perda de peso, de circunferência abdominal e de massa corporal adiposa mais satisfatórias, assim como um menor índice de fome, melhora de parâmetros bioquímicos de glicose de jejum, concentração de insulina, colesterol e de algumas substâncias inflamatórias. Também foi encontrado que estes participantes apresentaram alterações favoráveis ao emagrecimento nos níveis de alguns hormônios associados com a saciedade e fome, como leptina, adiponectina e grelina.

Em vista do apresentado, após a publicação desta matéria, muitas celebridades divulgaram em suas redes sociais que o consumo de massas à noite está liberado. Contudo, vale ressaltar algumas limitações apresentadas pelo estudo em questão. A principal destas refere-se ao fato de que no estudo não foi informado o tipo de carboidrato que os participantes consumiram no período noturno.

Os carboidratos são divididos basicamente em simples e complexos. Os carboidratos simples são compostos por estrutura química pequena, os monossacarídeos e oligossacarídeos (presentes no mel, leite e derivados, frutas, açúcares). Por apresentarem tamanho reduzido, são facilmente digeridos e absorvidos, levando ao rápido aumento da glicose no sangue. Já os carboidratos complexos são compostos por estrutura química maior, os polissacarídeos (presentes arroz, pães, batata, fibras alimentares). Estes são digeridos e absorvidos de forma mais lenta, acarretando no aumento gradual da glicemia.

Vale ressaltar que ainda assim os alimentos fontes de carboidratos simples, bem como de carboidratos complexos, diferem-se entre si em relação ao estímulo de liberação de insulina. Alimentos como batata, pão branco e massas (que são constituídos por carboidratos complexos) são altamente insulinêmicos – geram a rápida liberação de insulina na corrente sanguínea, o que acarreta na captação acelerada de glicose pelo fígado, músculo e tecido adiposo, estimulando a lipogênese e podendo desencadear uma queda brusca na concentração sanguínea de glicose e levar assim à hipoglicemia, bem como a uma série de doenças metabólicas. Por outro lado, alimentos ricos em fibras alimentares como o pão e o arroz integrais (que também são constituídos por carboidratos complexos), impedem a liberação exacerbada de insulina pelo pâncreas e ainda conferem uma série de benefícios à saúde, como redução do mau colesterol, melhor controle da glicemia, menor sensação de fome, entre outros. Neste cenário, torna-se clara a importância da escolha correta dos alimentos fontes de carboidratos a serem ingeridos, principalmente no período que antecede o horário de dormir.

Outra limitação do estudo refere-se ao fato de que não foram citados os alimentos ingeridos pelos participantes dos dois grupos durante o período. Por suposição, os participantes do grupo que consumiu alimentos fontes de carboidrato no período da noite poderiam ter como principal fonte energética durante o dia alimentos com teores consideráveis de lipídeos. Pelo fato de que se trata de uma dieta hipocalórica, é pertinente presumir que os alimentos ricos em lipídeos sejam fontes de gorduras boas, como ácidos graxos mono e poli-insaturados. Estudos mostram que o consumo destes tipos de gorduras, presentes no azeite de oliva extra-virgem, oleaginosas, abacate, peixes marinhos, entre outros; promove muitos benefícios à saúde, como a melhora de parâmetros bioquímicos de glicose, insulina, colesterol, triacilgliceróis, bem como a interferência na liberação de hormônios relacionados com o apetite, como a adiponectina.

Tendo em vista o exposto, é de extrema importância a conscientização das diferentes respostas que os alimentos ricos em carboidratos podem desencadear no organismo. O consumo de carboidratos com baixa carga glicêmica e insulinêmica durante o período noturno podem não impactar negativamente sobre os níveis de insulina e glicose sanguínea durante o sono e, consequentemente, não ocorre o estímulo às vias metabólicas que promovem a lipogênese e outros processos que dificultam a perda de peso corporal.

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Texto elaborado pela Dra. Renata Alves - Nutricionista do Depto. Científico da VP Consultoria Nutricional

Destoxificação consiste no processo realizado por um organismo visando a eliminação de determinadas toxinas, também conhecidas como xenobióticos. Neste processo, tais substâncias, que não são passíveis de excreção, sofrem alterações na sua estrutura química que possibilitam a sua eliminação do organismo por meio das fezes ou urina. A destoxificação ocorre em todas as células, mas principalmente nas do fígado e do intestino. O fígado contém aproximadamente 60% das enzimas necessárias para este processo, e, o intestino, comporta cerca de 20% destas.

Desta forma, a dieta de destoxificação tem como objetivo dar suporte necessário para os sistemas de destoxificação naturais do organismo, através da restrição de alimentos possivelmente alergênicos, industrializados e com grandes quantidades de aditivos químicos, substituindo pelo consumo de alimentos orgânicos e que apresentam propriedades que estimulam as vias de destoxificação, em conjunto com a utilização de uma suplementação específica para esse período.

O termo ‘dieta de detox’ é muito falado em publicações midiáticas, sendo por diversas vezes, utilizado erroneamente. Recentemente, em um programa de televisão de grande impacto, foi dado um exemplo de dieta de destoxificação, o qual incluiu torradas, queijo branco e iogurte. Também, foi citado que a indicação para esta dieta varia de acordo com o exagero alimentar ou alcoólico que o indivíduo cometeu, podendo ter duração de um dia ou semanas.

A verdadeira dieta de destoxificação vai muito além da correção de exageros alimentares ou alcoólicos. Podendo podendo ter duração de seis, quinze, vinte e um ou trinta dias, a dieta tem como base a remoção de toxinas e a eliminação de anti-nutrientes da dieta como gorduras trans, farinha branca, açúcar, cafeína, corantes, aromatizantes, preservantes, glutamato monossódico e adoçantes artificiais. Alimentos com potencial alergênico elevado, como leite, laticínios, soja e glúten, e aqueles que contêm grandes quantidades de aditivos químicos, como industrializados, enlatados e embutidos (frios, salsicha, linguiça, defumados e conservas) também são restringidos da dieta, bem como carnes assadas em carvão, bebidas alcoólicas, sucos industrializados e refrigerantes.

O plano alimentar de destoxificação é dividido em dois períodos, o período “A” e o período “B”. De acordo com o total de dias de duração da dieta, estes dois períodos se intercalam em período “A”- período “B”- período “A”. De forma geral, o plano alimentar “A” é composto por frutas, legumes e verduras (que devem ser de origem orgânica, devido à elevada quantidade de agrotóxicos que as de cultivo comum apresentam), algumas leguminosas, cereais integrais, chás, oleaginosas, ovo caipira, certos tipos de peixes e óleos extra-virgem. Já no período “B”, usualmente é permitido o consumo de frutas, legumes, verduras, arroz integral do tipo cateto, chás, oleaginosas e óleos extra-virgem.

A suplementação nutricional para o período compreende em diversas vitaminas e minerais que estimulam o sistema de eliminação de xenobióticos, com a finalidade de prover ao organismo os nutrientes necessários para que o indivíduo exerça suas atividades habituais. Também são incluídos nestas formulações aminoácidos e alguns outros compostos que auxiliam no restabelecimento da depleção de co-fatores desencadeada pela exposição tóxica e na proteção do organismo contra o estresse oxidativo.

Todavia, é de extrema importância frisar que o plano alimentar destoxificante é traçado por profissional capacitado, que, de acordo com a individualidade bioquímica de cada um, irá apresentar quais são os alimentos específicos que poderão ser consumidos, bem como os dias de duração da dieta. A reintrodução dos alimentos excluídos, principalmente os alergênicos, deve ser feita com cautela e sob supervisão, uma vez que o organismo fica extremamente sensível aos mesmos após a dieta.

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Texto elaborado pelo depto. científico da VP Consultoria Nutricional

Em uma sociedade contraditória, onde o padrão de beleza magro é perseguido a todo custo, mas distorcidos hábitos de vida geram enorme prevalência de obesidade, parte da mídia obtém seus lucros a partir de publicações sensacionalistas de fórmulas “mágicas” para emagrecimento. Em uma revista de grande circulação, recentemente foi publicada uma matéria sobre como adotar a mesma estratégia de manutenção de peso adequado de uma famosa atriz, inclusive, indicando a cópia de um cardápio, que supostamente seria o mesmo utilizado pela celebridade.

Em uma breve análise do cardápio sugerido, observa-se apenas quatro refeições por dia, recheadas de alimentos industrializados, em sua maioria na forma diet e light, compondo uma dieta com poucas calorias, sendo este fato, a única alegação para o suposto poder emagrecedor.

Seres humanos são diferentes sob as óticas sócio-econômica, cultural, psicológica e biológica, o que torna cada um de nós, seres únicos, que possuem únicas necessidades nutricionais. A absorção, a utilização, o metabolismo e a eliminação de nutrientes são diferentes em cada um. Para exemplificar tais diferenças, às quais denominamos “individualidade bioquímica”, pode-se citar a existência de polimorfismos genéticos que alteram a forma de utilização dos nutrientes em diferentes organismos. Ainda, diferentes indivíduos podem responder de formas diferentes à ingestão de diversos grupos alimentares e provocar distinta sintomatologia. Sendo assim, não é possível que um mesmo cardápio seja benéfico para todos os indivíduos, nem promova os mesmos resultados em todos.

Dietas pobres em calorias, onde não há preocupação com a qualidade dos macronutrientes ou com o aporte de micronutrientes e compostos bioativos, são bastante utilizadas para promover perda de peso, porém podem acarretar em sérios riscos à saúde. A perda ponderal induzida por estas dietas em geral é limitada pela capacidade que o organismo possui de adaptar-se às adversidades. Quando ingerimos poucas calorias ou passamos longo período sem ingerir alimentos, o organismo interpreta que está sofrendo privação e reduz o gasto energético, freando a perda de peso. Soma-se a este mecanismo, o fato de a maioria das dietas desse tipo ser pobre em micronutrientes. Sem vitaminas e minerais necessários ao correto metabolismo energético, a redução ponderal é também diminuída.

O excesso de alimentos industrializados, rotulados como diets e lights induz uma ingestão exagerada de aditivos químicos, como corantes, saborizantes e edulorantes (adoçantes). Estes compostos, ao entrar no organismo, atuam como xenobióticos (substâncias estranhas) e causam diversos malefícios à saúde, como alergias alimentares, aumento do risco de câncer, de doenças cardiovasculares e alterações neurológicas. Em discordância com a mídia que estimula a ingestão de produtos diet e light, estudos científicos demonstram que a ingestão de adoçantes como aspartame e sacarina leva a maior ganho de peso se comparada à de açúcar.

Toda e qualquer dieta com alegação de ser útil para toda uma população será ineficaz quando aplicada a indivíduos únicos, sendo ela utilizada por famosos ou não! Para a indicação de um plano alimentar adequado para uma pessoa, se faz necessária uma minuciosa avaliação das suas necessidades. Por tal razão, o nutricionista é o único profissional capaz de indicar planos alimentares individualizados e eficientes.

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Texto elaborado pelo depto. científico da VP Consultoria Nutricional

Na agitada vida das grandes cidades modernas, noites de sono profundo e reparador são cada vez mais raras, fato que implica em sérios danos à saúde da população. Por ser o sono insuficiente um dos fatores responsáveis pelo aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis no mundo ocidental contemporâneo, e por também possuir implicações estéticas, este assunto vem sendo abordado freqüentemente em publicações midiáticas, como na revista “Boa Forma” de Outubro de 2012, em reportagem intitulada “Dormir bem emagrece e alisa a pele”.

Seres humanos possuem um relógio natural que determina que diferentes processos fisiológicos devem ocorrer na presença de luz e em sua ausência. Durante a noite, que naturalmente é escura, produzimos um hormônio denominado melatonina, responsável pela sensação de sono. Este mesmo hormônio é responsável por neutralizar o excesso de radicais livres durante o sono, evitando os danos celulares responsáveis pelo envelhecimento precoce e pelo aparecimento de neoplasias. A melatonina é produzida na glândula pineal, a partir da serotonina, neurotransmissor responsável por sensações prazerosas. A melatonina não é produzida em quantidade ideal caso não haja o ambiente escuro necessário a sua síntese, ou se houver insuficiência dos nutrientes responsáveis pela produção de sua precursora, a serotonina, como magnésio, vitaminas B12, B6, folato e o aminoácido triptofano.

Outro hormônio produzido durante o sono é o hormônio do crescimento (GH). O GH induz o crescimento em crianças, enquanto em adultos, é importante para a correta renovação celular, manutenção da massa muscular e redução da gordura corporal. Se o sono é insuficiente, o GH não é produzido em quantidade suficiente. Em situações de estresse, como em sono insuficiente, a glândula supra-renal secreta os hormônios adrenalina e cortisol. A adrenalina acelera os batimentos cardíacos e reduz o diâmetro dos vasos sanguíneos, elevando a pressão arterial, enquanto o cortisol induz a resistência à insulina e conseqüente deposição de gordura na região abdominal, entre outros efeitos.

Indivíduos com sono insuficiente têm maior predisposição à obesidade se comparados a pessoas que dormem bem. Além de toda a desregulação hormonal que leva o organismo a acumular gordura e perder massa muscular, neuropeptídeos denominados orexinas são secretados durante o estado de vigília, e são responsáveis pela manutenção deste e pelo estímulo à ingestão de alimentos. Por isso, passar a noite acordado aumenta a ingestão de alimentos e aumenta o risco de obesidade.

A evolução adaptou o ser humano a estar em alerta durante o dia e a dormir durante a noite, e a inversão dos ciclos biológicos naturais acarreta em sérios riscos à saúde. Apagar as luzes e desligar aparelhos eletrônicos durante a noite é uma medida simples e eficaz contra a insônia. Ingerir adequadamente alimentos fonte dos nutrientes necessários à produção de serotonina e melatonina, como cereais integrais, vegetais folhosos verdes escuros, carnes e chocolate amargo pode também ajudar a ter uma noite de sono tranqüila. A ingestão de álcool ou cafeína e a restrição energética podem reduzir a secreção de melatonina, e assim, atrapalhar o sono.

Para melhores resultados, lembre-se sempre de consultar um nutricionista que poderá passar orientações individuais específicas.

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Texto elaborado pelo depto. científico da VP Consultoria Nutricional

A vitamina D pode ser proveniente de alimentos ou ser sintetizada na pele, quando estimulada por raios solares ultravioleta. Estima-se que 30 minutos de banho de sol no verão sejam suficientes para a produção de cerca de 20.000 UI, o equivalente ao encontrado em 200 copos de leite. Sendo assim, a exposição solar tem maior impacto sobre o estado nutricional para este nutriente que sua ingestão dietética. Em países tropicais como o Brasil, a exposição ao Sol deveria garantir bom aporte de vitamina D, prevenindo sua carência. Porém, mesmo em países onde incidem grandes quantidades de raios solares, a deficiência desta vitamina tem grande prevalência. Os hábitos do mundo moderno, como passar a maior parte do tempo em locais fechados e usar excessivamente bloqueadores solares podem explicar tal fato. Em meio a uma verdadeira epidemia mundial, a deficiência de vitamina D tem sido alvo de publicações midiáticas, como ocorreu na revista Boa forma de Outubro de 2012, em reportagem intitulada “Sol e vitamina D”.

Duas formas químicas têm atividade de vitamina D: o ergocalciferol (D2), produzido sinteticamente através de esteróis vegetais e fúngicos e colecalciferol (D3), produzido na pele humana e presente em alimentos de origem animal. Em ambos os casos, para agir, a vitamina deve ser transformada no fígado em 25-hidroxivitamina D, principal forma circulante, e ser novamente hidroxilada no rim, tornando-se 1,25-dihidroxivitamina D, forma mais ativa da vitamina. As principais funções deste composto são regular a homeostase do cálcio e modular as ações do sistema imunológico.

Sabe-se que bons níveis de vitamina D podem prevenir osteoporose e fraturas, já que este nutriente age aumentando a absorção intestinal de cálcio, reduzindo sua eliminação urinária e diminuindo a reabsorção óssea. Porém, para uma boa saúde óssea não só a vitamina D e o cálcio são importantes, mas também o magnésio, o zinco, o manganês, as vitaminas K e C, entre outros nutrientes.

Menos conhecida pela população, porém, não menos importante, é a ação da vitamina D sobre o sistema imune.

Importante destacar que a maioria das células e tecidos no corpo possui receptores para vitamina D, que estimula a transcrição nuclear de diversos genes para alterar a função celular ou promover uma rápida resposta nas membranas celulares. Esta vitamina possui potente ação antiinflamatória e previne reações imunológicas exacerbadas, relacionadas à fisiopatologia de diversas doenças, a exemplo do diabetes tipo 1 e 2, da esclerose múltipla, do autismo, das síndromes dolorosas crônicas, doenças cardiovasculares, osteoporose e câncer de mama, próstata e cólon . Pesquisas científicas demonstram que a vitamina D pode auxiliar na prevenção ou tratamento de todas as patologias citadas. Induzir células malignas à morte, prevenindo o câncer e melhorando o prognóstico dos doentes, aumentar secreção de insulina pelo pâncreas em indivíduos diabéticos e estimular o crescimento ósseo em crianças são outros exemplos de funções desta importante vitamina.

Pesquisadores indicam que há atualmente uma deficiência mundial de vitamina D em diversas populações incluindo crianças, gestantes e lactantes, idosos, indivíduos residentes em áreas distantes do Equador e populações com pigmentação da pele escura. O aumento da ingestão de alimentos ricos em vitamina D como ovos, peixes e mariscos, e a exposição solar sem protetores em horários seguros por alguns minutos diariamente, podem prevenir a deficiência desta vitamina e os sérios danos à saúde causados por esta.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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Ingredientes:

3 bananas nanicas maduras

3 maçãs

½ abacaxi

150g de avelãs

2 colheres (sopa) cheias de farinha de arroz integral

2 colheres (sopa) cheias de farinha de coco

½ xícaras (chá) de aveia em flocos grossa

1 colher (sopa) de óleo de coco

Cravo a gosto

Canela em pau a gosto

Pimenta do reino a gosto

 

Modo de preparo:

Corte as frutas descascadas em pedaços médios e coloque na panela com o cravo e a canela em pau, cozinhando em fogo baixo e com a panela tampada até as frutas amolecerem. Em um pirex, distribua as frutas e salpique pimenta do reino.

Em um processador, triture a avelã até formar uma farinha grossa e adicione a aveia e as farinhas de arroz e de coco. Acrescente o óleo de coco aos poucos e com as mãos, misture até dar o ponto de farofa úmida.

Distribua a esta farofa em cima das frutas e coloque para assar em forno baixo, até o caldo das frutas secar e a farofa dourar.

 

*Receita elaborada pela nutricionista Dra. Priscila Di Ciero

* Texto elaborado pelo depto. científico da VP Consultoria Nutricional

 

Inflamação é a resposta do organismo frente a agressões físicas, químicas ou biológicas, quando o sistema de defesa aciona modificações hormonais, metabólicas e celulares. A região inflamada costuma apresentar aumento da vascularização e consequente dor, calor, rubor (vermelhidão) e edema (inchaço), podendo culminar na perda de função do tecido ou órgão, quando a ação passa de localizada e temporária a sistêmica e crônica - condição que pode favorecer da celulite ao câncer, passando pelos conhecidos sintomas respiratórios e pela dificuldade de emagrecer.

 

Fatos, como celulite presente em mulheres magras e ganho de peso insistente, apesar de dietas hipocalóricas, costumam ser vistos como grandes enigmas metabólicos, quando, na verdade, decorrem de processos inflamatórios desencadeados por uma combinação de maus hábitos alimentares, sedentarismo e herança genética.

 

A celulite, na verdade, é uma inflamação crônica, caracterizada por gordura aprisionada nos tecidos, que dificulta a renovação celular. Ainda, a inflamação reduz as atividades funcionais das células dos tecidos dérmico e subcutâneo, comprimindo vasos sanguíneos e linfáticos e causando não apenas a celulite, como também a deposição de gordura em diversas células, a acne, a flacidez e o envelhecimento precoce.

 

O funcionamento celular e de cada órgão ocorre na sua plenitude apenas quando o organismo está livre de toxinas e substâncias inflamatórias e recebendo todos os nutrientes necessários para suas funções, proporcionando um estado de equilíbrio capaz de controlar a integridade dos tecidos e até o apetite.

 

Frequentemente, alimentos pouco calóricos apresentam um teor tóxico tão elevado - oriundo de corantes, conservantes, agrotóxicos, fertilizantes, metais pesados, hormônios e medicamentos - que acabam promovendo maior ganho de peso do que alimentos ricos em energia, mas dotados de propriedades funcionais anti-inflamatórias e antioxidantes; nesse sentido, o consumo de gelatina dietética pode realmente engordar mais do que o de abacate.

 

Outros exemplos de alimentos pró-inflamatórios são os embutidos, as carnes gordas, o leite integral, os doces, os refrigerantes, os alimentos refinados, os enlatados e os produtos industrializados em geral. Ademais, esses itens também tendem a acidificar o nosso organismo. Para estar em equilíbrio e reduzir a produção de substâncias inflamatórias, o pH sanguíneo precisa manter a alcalinidade.

 

A abundância desses elementos faz com que a dieta ocidental típica ofereça de vinte a cinquenta vezes mais alimentos pró-inflamatórios do que anti-inflamatórios.

 

Encontramos exemplos de nutrientes com potencial anti-inflamatório no abacate e no azeite extravirgem de oliva (gordura monoinsaturada), na sardinha, no salmão e nas sementes de linhaça e de chia (ácidos graxos essenciais, os famosos ômegas) e nas frutas, nas hortaliças, nas leguminosas e nos produtos com cereais integrais na composição (carboidratos de baixo índice glicêmico, vitaminas e minerais).

 

Já compostos bioativos com ação anti-inflamatória podem ser encontrados, por exemplo, nas uvas (resveratrol), nas frutas vermelhas (antocianinas), na romã e na amora-preta (ácido elágico), no chá verde (catequinas), na maçã e nas frutas cítricas (quercetina), no tomate, na melancia e na goiaba (licopeno), no gengibre (gingerol), no azeite de oliva (tirosol), nas crucíferas, como brócolos e couve-flor (indol-3-carbinol e sulforafano), na cúrcuma (curcumina), na pimenta-vermelha (capsaicina), no própolis e nas hortaliças (apigenina) e na soja (genisteína).

 

Desse modo, a ingestão de elementos pró-inflamatórios, tão presentes na alimentação moderna, deve ser desencorajada e substituída pelo consumo frequente de alimentos anti-inflamatórios, os quais reinaram na era pré-industrial.

 

Portanto, no combate à celulite e a quaisquer disfunções de natureza inflamatória recomenda-se, como frequência, consumir uma porção de alimentos anti-inflamatórios a cada três horas, perfazendo, ao longo do dia, uma dieta rica em peixes, frutas, hortaliças, cereais integrais, leguminosas, mel, raízes, sementes, especiarias e ervas aromáticas. 

                               

Referências Científicas:

1. Bastos, D. H. M.; Rogero, M. M.; Arêas, J. A. G. Mecanismos de ação de compostos bioativos dos alimentos no contexto de processos inflamatórios relacionados à obesidade. Arq Bras Endocrinol Metab; 53(5): 646-656, 2009.

2. CABRERAS, C. Dieta anti-inflamatória. Revista Pense Leve, p. 18-24, julho 2012.

3. CAVALHEIRO, T. et al. Combo anticelulite. Revista Boa Forma, p. 100-110, setembro 2012.

4. JACQUES, A. C.; ZAMBIAZI, R. C. Fitoquímicos em amora-preta (Rubus spp). Semina: Ciências Agrárias; 32(1): 245-260, 2011.

5. KOPPENOL, W. H.; BOUNDS, P. L.; DANG, C. V. Otto Warburg’s contributions to current concepts of cancer metabolism. Nature Reviews – Cancer; 11: 325-337, 2011.

Texto elaborado pelo depto. Científico da VP Consultoria Nutricional

A Síndrome pré-menstrual (SPM) é um distúrbio comum entre as mulheres durante a fase reprodutiva. Cerca de 90% das mulheres relatam ter um ou mais sintomas, que podem variar a cada ciclo menstrual, assim como a intensidade. Ela provoca alterações comportamentais, emocionais, cognitivas e físicas, comprometendo o relacionamento no ambiente familiar, social, escolar e profissional. Estas se manifestam principalmente na semana que precede a menstruação, desaparecendo alguns dias após o aparecimento do fluxo menstrual. Cerca de 5-10% das mulheres sofrem de severa síndrome pré-menstrual e 30-40% apresentam sintomas moderados.

Os sintomas mais comuns da SPM se dividem entre somáticos (irritabilidade, alterações de humor, comportamento depressivo, impulsividade, aumento de apetite, desejo por doce e confusão mental) e físicos (fadiga, mastalgia, edema abdominal, lombalgia, insônia, aumento de peso temporário, enxaqueca, presença de edema nas extremidades, constipação intestinal e diarreia). A sintomatologia é provavelmente multifatorial. Existe diferença entre a síndrome pré-menstrual e a desordem disfórica pré-menstrual sendo, a segunda, diferenciada pela severidade dos sintomas e com predominância de sintomas emocionais e disfunções, particularmente, nas relações pessoais e de domínio marital e familiar.

Diversos autores relacionam alguns fenômenos relacionados à ocorrência da SPM com desequilíbrio entre estrógeno e progesterona, excesso de prolactina, deficiência das vitaminas E e B6,  deficiência de minerais, alteração na atividade de prostaglandinas e na ação da endorfina e serotonina.

Há diversas estratégias de tratamento com o objetivo de amenizar ou eliminar os sintomas, muitas já em discussão na imprensa, como a matéria “Drible a TPM” da Revista Viva Saúde (edição extra de setembro de 2012). Um dos tratamentos, sendo este não medicamentoso, consiste em alterações comportamentais, repouso adequado, prática de atividades físicas, atividades relaxantes, terapia cognitiva e mudanças nos hábitos alimentares, as quais devem ser comumente utilizadas. O tratamento medicamentoso utiliza diuréticos, antidepressivos, ansiolíticos e supressores da ovulação, que devem ser usados somente em mulheres com sintomas persistentes ou que apresentem a síndrome disfórica pré-menstrual.

O aumento no consumo energético e maior preferência por carboidratos são mais prevalentes em mulheres com a SPM, mais sensíveis às variações do ciclo hormonal e de neurotransmissores. Estudos observam maior consumo energético e de todos os macronutrientes, principalmente lipídios, carboidratos e açúcar simples, em mulheres com SPM durante a fase pré-menstrual. Na fase lútea, a ingestão aumentada de carboidratos pode ser explicada pela diminuição dos mediadores de serotonina nessa etapa do ciclo menstrual. A ingestão de carboidratos leva a uma cascata de reações, resultando em um aumento na síntese de serotonina e a melhora do humor. É importante lembrar que se deve priorizar o consumo de carboidratos integrais, pois o consumo de carboidrato simples tem sido associado com edema, fadiga e distúrbios de humor. Desta forma, é interessante que mulheres com SPM façam refeições fracionadas e ricas em carboidratos integrais.

Muitos estudos científicos indicaram efeitos benéficos de alguns nutrientes específicos, seja adquirido pela alimentação ou na forma de suplemento. Dentre eles estão a vitamina E, vitamina B6, magnésio, cálcio, manganês, ácidos graxos de cadeia longa e as isoflavonas. Mostram ainda resultados mais positivos, quando se trata da ação sinérgica entre esses nutrientes. Os efeitos benéficos se dão pela redução significativa de sintomas, tais como ansiedade, tensão nervosa, alterações de humor, irritabilidade, depressão, enxaqueca e retenção de líquido. Além da relação com esses nutrientes, estudos também observaram que mulheres que praticam atividade física sentem menos sintomas do que as inativas.

Quanto ao consumo de alguns alimentos, como sal, açúcar, cafeína, produtos lácteos e álcool, este deve ser reduzido para auxiliar na diminuição da retenção de líquidos (consumo excessivo de sódio), irritabilidade (consumo excessivo de cafeína) e cólicas.

Desta forma, verificamos a importância da mudança de comportamento e estilo de vida, assim como o acompanhamento nutricional individualizado para garantir a nutrição e o funcionamento adequado do organismo, para minimizar os sintomas da SPM.

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* Texto elaborado pelo depto. científico da VP Consultoria Nutricional

Inflamação é a resposta do organismo frente a agressões físicas, químicas ou biológicas, quando o sistema de defesa aciona modificações hormonais, metabólicas e celulares. A região inflamada costuma apresentar aumento da vascularização e consequente dor, calor, rubor (vermelhidão) e edema (inchaço), podendo culminar na perda de função do tecido ou órgão, quando a ação passa de localizada e temporária a sistêmica e crônica - condição que pode favorecer da celulite ao câncer, passando pelos conhecidos sintomas respiratórios e pela dificuldade de emagrecer.

Fatos, como celulite presente em mulheres magras e ganho de peso insistente, apesar de dietas hipocalóricas, costumam ser vistos como grandes enigmas metabólicos, quando, na verdade, decorrem de processos inflamatórios desencadeados por uma combinação de maus hábitos alimentares, sedentarismo e herança genética.

A celulite, na verdade, é uma inflamação crônica, caracterizada por gordura aprisionada nos tecidos, que dificulta a renovação celular. Ainda, a inflamação reduz as atividades funcionais das células dos tecidos dérmico e subcutâneo, comprimindo vasos sanguíneos e linfáticos e causando não apenas a celulite, como também a deposição de gordura em diversas células, a acne, a flacidez e o envelhecimento precoce.

O funcionamento celular e de cada órgão ocorre na sua plenitude apenas quando o organismo está livre de toxinas e substâncias inflamatórias e recebendo todos os nutrientes necessários para suas funções, proporcionando um estado de equilíbrio capaz de controlar a integridade dos tecidos e até o apetite.

Frequentemente, alimentos pouco calóricos apresentam um teor tóxico tão elevado - oriundo de corantes, conservantes, agrotóxicos, fertilizantes, metais pesados, hormônios e medicamentos - que acabam promovendo maior ganho de peso do que alimentos ricos em energia, mas dotados de propriedades funcionais anti-inflamatórias e antioxidantes; nesse sentido, o consumo de gelatina dietética pode realmente engordar mais do que o de abacate.

Outros exemplos de alimentos pró-inflamatórios são os embutidos, as carnes gordas, o leite integral, os doces, os refrigerantes, os alimentos refinados, os enlatados e os produtos industrializados em geral. Ademais, esses itens também tendem a acidificar o nosso organismo. Para estar em equilíbrio e reduzir a produção de substâncias inflamatórias, o pH sanguíneo precisa manter a alcalinidade.

A abundância desses elementos faz com que a dieta ocidental típica ofereça de vinte a cinquenta vezes mais alimentos pró-inflamatórios do que anti-inflamatórios.

Encontramos exemplos de nutrientes com potencial anti-inflamatório no abacate e no azeite extravirgem de oliva (gordura monoinsaturada), na sardinha, no salmão e nas sementes de linhaça e de chia (ácidos graxos essenciais, os famosos ômegas) e nas frutas, nas hortaliças, nas leguminosas e nos produtos com cereais integrais na composição (carboidratos de baixo índice glicêmico, vitaminas e minerais).

Já compostos bioativos com ação anti-inflamatória podem ser encontrados, por exemplo, nas uvas (resveratrol), nas frutas vermelhas (antocianinas), na romã e na amora-preta (ácido elágico), no chá verde (catequinas), na maçã e nas frutas cítricas (quercetina), no tomate, na melancia e na goiaba (licopeno), no gengibre (gingerol), no azeite de oliva (tirosol), nas crucíferas, como brócolos e couve-flor (indol-3-carbinol e sulforafano), na cúrcuma (curcumina), na pimenta-vermelha (capsaicina), no própolis e nas hortaliças (apigenina) e na soja (genisteína).

Desse modo, a ingestão de elementos pró-inflamatórios, tão presentes na alimentação moderna, deve ser desencorajada e substituída pelo consumo frequente de alimentos anti-inflamatórios, os quais reinaram na era pré-industrial.

Portanto, no combate à celulite e a quaisquer disfunções de natureza inflamatória recomenda-se, como frequência, consumir uma porção de alimentos anti-inflamatórios a cada três horas, perfazendo, ao longo do dia, uma dieta rica em peixes, frutas, hortaliças, cereais integrais, leguminosas, mel, raízes, sementes, especiarias e ervas aromáticas.

Referências Científicas:

1. BASTOS, D. H. M.; ROGERO, M. M.; ARÊAS, J. A. G. Mecanismos de ação de compostos bioativos dos alimentos no contexto de processos inflamatórios relacionados à obesidade. Arq Bras Endocrinol Metab; 53(5): 646-656, 2009.

2. CABRERAS, C. Dieta anti-inflamatória. Revista Pense Leve, p. 18-24, julho 2012.

3. CAVALHEIRO, T. et al. Combo anticelulite. Revista Boa Forma, p. 100-110, setembro 2012.

4. JACQUES, A. C.; ZAMBIAZI, R. C. Fitoquímicos em amora-preta (Rubus spp). Semina: Ciências Agrárias; 32(1): 245-260, 2011.

5. KOPPENOL, W. H.; BOUNDS, P. L.; DANG, C. V. Otto Warburg’s contributions to current concepts of cancer metabolism. Nature Reviews – Cancer; 11: 325-337, 2011.