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Na edição nº 79 da revista Viva Saúde, a seção “Falso ou Verdadeiro” analisou mitos e conceitos comuns sobre o azeite. Boa oportunidade para agregarmos mais informações e conhecermos melhor as propriedades desse alimento que é comumente encontrado na mesa dos brasileiros. A palavra azeite, em português, deriva da língua árabe, de raiz zait e de prefixo az, significando sumo de azeitona, que provém de  zitoun e zite (oliveira e azeite, respectivamente). O azeite, como é conhecido no Brasil e em Portugal, é um óleo produzido a partir da azeitona, fruto da árvore chamada oliveira, cientificamente classificada como Olea europaea L., da família das oleáceas. A oliveira foi uma das primeiras árvores a ser cultivada no Mediterrâneo Oriental e na Ásia Menor há mais de 14 mil anos. Os homens aprenderam a extrair o azeite no final do período neolítico, quando passou a ser usado, inicialmente como ungüento, depois como combustível e só mais à frente empregado na alimentação, tornando-se uma árvore venerada por diversos povos. 

Atualmente, a maior parte da produção de azeitona destina-se a obtenção do óleo ou azeite, e a menor parte para o comércio da fruta. São catalogados hoje cerca de 270 tipos de olivas, mas somente 24 são regularmente utilizadas para a produção de azeites. Cada litro de azeite exige entre 5 e 6kg de azeitonas. Uma oliveira produz, por safra, em média 30kg da fruta, resultando em cerca de 5 litros de azeite.

A oliveira foi introduzida no Brasil por imigrantes europeus por volta de 1820, e no sul de Minas Gerais – estado que atualmente possui fazendas experimentais de cultivo – a partir de 1955, por produtores locais.  Nosso país é totalmente dependente da importação para abastecimento interno de Azeitonas e Óleo de Oliva, apesar de os estados do sul do Brasil apresentarem microclima favoráveis ao seu cultivo. A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), pioneira em pesquisas sobre a oliveira, deu início em 2007 a estudos em várias regiões de Minas para testar a capacidade de adaptação de variedades de oliveira em condições diferentes de clima, água e solo. No início de 2009 foi feita a extração de forma experimental e de acordo com informações colhidas no site da EPAMIG, em 2010, será feita a extração do azeite para comercialização. A previsão é colher 50 toneladas de azeitonas, que renderão 20 mil litros de azeite.

Uma vez ao ano, o Conselho Oleícola Internacional (IOC) faz uma análise estatística no que diz respeito à safra de azeitonas. As tabelas foram divulgadas este mês e segundo os dados, a Espanha e Itália permanecem os maiores produtores e exportadores mundiais de azeite de oliva, seguidos de Grécia, Portugal, Síria, Tunísia, Turquia e Marrocos. O Brasil teve um consumo médio, entre as safras de 2003/04 e 2008/09, de 32,1 mil toneladas de azeite de oliva, enquadrando-se como o sétimo maior importador e entre os 10 maiores consumidores no mundo, com taxas anuais de crescimento satisfatórias.

Os dados coletados no IOC reafirmam uma das características mais marcantes do padrão dietético mediterrâneo: o alto consumo de azeite de oliva. A primeira menção do papel benéfico do azeite foi apresentada em meados do século passado, por Keys e colaboradores, em um trabalho conhecido como The Seven Country Study. Resultado de 15 anos de pesquisas, o estudo mostrou a relação entre as dietas de sete países e a prevalência das doenças cardiovasculares. Enquanto países, como a Finlândia, apresentavam uma incidência de mortes por doenças cardiovasculares de 1.202/10.000 habitantes e os EUA 773/10.000, os habitantes da ilha grega de Creta tiveram uma incidência de apenas 38/10.000. O resultado deste estudo serviu de base para o conceito de propriedade cardioprotetora derivada dos hábitos alimentares da população Mediterrânea, cujo elemento mais comum foi o consumo de azeite. Desde então, um crescente número de pesquisas foram realizadas a fim de consolidar as propriedades e os benefícios desse alimento para a saúde.

Segundo o IOC, a singularidade do azeite de oliva virgem está no fato de não ser produzido por extração com solventes, mas sim por processo mecânico de prensa a frio, que preserva sua natureza química e antioxidante. É composto exclusivamente pelo óleo da azeitona e não passa por outro processamento além da lavagem, decantação, centrifugação e filtração. Ademais, diferentemente da maioria dos óleos vegetais, provenientes de cereais, o azeite de oliva é extraído de uma fruta e por isso possui características nutricionais e sensoriais peculiares. Dependendo do grau de acidez, que pode variar entre < 0,8%; > 0,8% e < 2%; e > 3,3%, o azeite de oliva é classificado em extra-virgem, virgem e virgem lampante, respectivamente. 

O mito de que a gordura é causadora de doenças cardiovasculares pode ser desvendado, uma vez consultadas as recomendações da Sociedade Brasileira de Cardiologia que preconiza que até 30% das calorias totais da dieta seja de gordura. No entanto, especifica que a gordura saturada seja menor que 7%, a poliinsaturada de até 10%, e até 20% de gordura monoinsaturada, encontrada especialmente no azeite. Esse é um dos fatores que contribuem para que a população mediterrânea tenha baixas taxas de doenças crônicas quando comparadas a de outros países, indicando que a qualidade da gordura deve ser levada em consideração e não apenas a quantidade. 

Estudos mostram que o consumo de azeite de oliva extra-virgem (25-50ml/dia) melhora o perfil lipídico (diminui colesterol total/ LDL e aumenta HDL), inibe a oxidação de LDL, diminui a expressão de moléculas de adesão, inibe a agregação plaquetária  e estimula a produção de óxido nítrico, que é um importante agente regulador da pressão arterial. Esses efeitos, em conjunto, contribuem para um sangue mais fluido e previnem a formação de trombos e placas ateroscleróticas, conseqüentemente protegendo contra as doenças cardiovasculares. Outro importante benefício é a ação anticancerígena, especialmente contra o câncer colorretal. O azeite interfere nos níveis hormonais, na composição celular, em diferentes estágios do câncer, além de agir na expressão gênica, modulando a proliferação, ciclo e apoptose celular.  Outras ações encontradas na literatura científica, embora em menor escala, incluem antimicrobiana em doenças como diabetes, doenças reumáticas, câncer de mama, protetor cognitivo e contra a doença de Alzheimer.  

Por muito tempo, atribuiu-se os benefícios do azeite de oliva apenas ao tipo de gordura. Contudo, atualmente as propriedades de componentes bioativos representados, principalmente, pelos polifenóis (hidroxitirosol, tirosol, oleocantal) também ganharam destaque científico. Embora apareçam em menor quantidade (1-2%) são determinantes para os efeitos positivos, possuindo ação contra dois dos desequilíbrios mais evidentes nas doenças crônicas: estresse oxidativo e inflamação. 

Para adquirir um bom azeite, procure pelo extra-virgem, de marca idônea, em garrafas escuras, com data de fabricação recente, prensado a frio e de acidez menor que 0,8%. Deve-se guardar em local fresco e ao abrigo da luz. Espanha, Portugal, Grécia e Itália são conhecidos pelos produtos de boa qualidade. Importante também procurar por produtos que tenham sido embalados no país de origem, para se evitar riscos de adulteração.

Não se deve responsabilizar um único alimento pelas características de morbimortalidade de uma população. Para que o azeite seja um aliado à saúde é necessário que esteja inserido em um contexto de estilo de vida saudável que extrapola o campo da alimentação e nutrição, respeitando a individualidade bioquímica.

*Texto elaborado pelo Dr. Nélio Carlos de Araújo Santos Filho, aluno bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

Massa:
2 xícaras de creme de arroz
½ xícara de amido de milho
1 colher (de sopa) de fermento em pó
1 pitada de sal
4 ovos
1 xícara de óleo
1 e 2/3 xícara de açúcar
1 xícara de suco de limão

Modo de preparo:
Misture os quatro primeiros ingredientes e reserve. Bata os ovos, o óleo e o açúcar na batedeira até que a mistura fique homogênea. Adicione alternadamente o suco e a farinha. Coloque a mistura em uma forma untada e enfarinhada. Asse em forno médio por 25 a 30 minutos. Se preferir fazer muffins, asse por 15 a 20 minutos.

Cobertura
1 xícara de açúcar
2 colheres de sopa de limão
Um pouco de água para dar o ponto

Modo de preparo:
Misture todos os ingredientes acima e cubra o bolo.

Rendimento: 20 porções
Grau de dificuldade: fácil

A padaria Fina Farinha Produtos Sem Glúten e Lactose está localizada em Brasília.
Comércio Local Norte (CLN) – 202, Bloco B, Loja 19.
Contato: Égle Regina Alves
Tel: (61) 3034-2424
E-mail: egle.regina@gmail.com
Visite o site da Fina Farinha: www.finafarinha.com.br

A urina saudável é estéril. A entrada e proliferação bacteriana no trato urinário é o que provoca doenças. As infecções do trato urinário (ITU) ocorrem quando há presença de microrganismos (número de bactérias na urina geralmente > 100.000/mL) seja na bexiga, próstata, sistema coletor (ureter) e rins. Os sintomas mais freqüentes incluem maior freqüência e urgência em urinar, ato de urinar doloroso, urina turva e dor lombar. A recorrência desse tipo de infecção é comum, especialmente em mulheres. Os fatores de risco que predispõem as mulheres a esta recorrência incluem relações sexuais, uso de contraceptivos orais, uso de antibióticos, estrógeno, genética e proximidade da uretra ao ânus. A Escherichia coli é patógeno urinário mais comum, presente em cerca de 85% dos casos, por possuir macromoléculas protéicas (fimbriae) que facilitam a sua adesão às células uroepiteliais do trato urinário. Uma vez no trato urinário, a bactéria não causará a doença a menos que prolifere. E a proliferação ocorre a partir da aderência do microrganismo à superfície da mucosa do trato urinário, subseqüente multiplicação bacteriana e infecção do tecido do hospedeiro.

O tratamento da disbiose é prioritário para este perfil de pacientes, e felizmente a natureza também traz outros recursos para ajudar na prevenção dessas infecções. A ingestão de substâncias capazes de interferir na habilidade de aderir à superfície mucosa automaticamente prejudica a capacidade de infecção bacteriana. É justamente neste ponto que a cranberry se destacou como importante alimento funcional com benefícios comprovados para a saúde do trato urinário. Na Revista viva Saúde edição 81 de janeiro de 2010 uma pequena nota traz a informação de sua aplicação contra as infecções urinárias.

A cranberry é uma fruta vermelha escura, pequena, nativa do leste da América do Norte, popularizada como poderosa contra as infecções do trato urinário já em 1920. Existem dois tipos do fruto cranberry: Vaccinium oxycoccos, que cresce em terrenos pantanosos do norte da América do Norte, norte da Ásia, e Europa central; e a Vaccinium macrocarpon mais encontrada na região leste do Canadá (Newfoundland) até as Carolinas nos EUA. O consumo pode ser como fruta fresca, concentrado, molhos, bebidas prontas ou extrato. O suco puro concentrado é muito ácido (pH ≤ 2,5) e não palatável. Na década de 1950 foi desenvolvido o cocktail de suco de cranberry, uma mistura de suco puro concentrado (pelo menos na proporção de 25%/volume), adoçante, água e vitamina C. A quantidade de polifenólicos totais, expressa em base úmida, avaliada em produtos derivados da cranberry varia e é maior na ordem: forma seca > congelada > molho > geléia. Quando essa relação é feita com base no tamanho da porção para cada um desses produtos a ordem é: fruta congelada > suco 100% > fruta seca > suco a 27% > molho > geléia.

Um dos mecanismos propostos para prevenção de infecções urinárias seria a acidificação da urina como forma de inibir o crescimento bacteriano. Porém, já foi demonstrado que o consumo de cranberry não altera de forma importante o pH urinário. A presença de outros compostos como as proantocianidinas (taninos compostos) e a frutose exerceria este efeito. As proantocianidinas são oligômeros de unidades de flavonol, porém, na cranberry apresentam um tipo de ligação (tipo A) entre estas unidades que difere daquela encontrada em outras frutas (tipo B), e especula-se que o tipo de ligação A seria mais efetiva para o efeito contra aderência das bactérias. Os estudos in vitro comprovam a capacidade do suco ou cocktail dessa fruta em prejudicar a aderência de alguns tipos de bactérias. Os estudos clínicos sugerem benefícios, mas não é eficaz a todos os indivíduos que a utilizam. Deve-se considerar a forma de consumo, a quantidade e o período de uso.
 
O consumo de 475 mL de suco de cranberry diariamente por 21 dias reduziu em 50% as queixas urogenitais e número de bactérias de pacientes com sintomas de ITU. Já o consumo de 300 mL de cocktail de suco de cranberry por 6 meses reduziu em 42% as chances de mulheres idosas apresentarem bacteriúria e piúria. O consumo de uma cápsula duas vezes ao dia, por 12 semanas, contendo 200mg de extrato padronizado de cranberry para conter 30% de fenólicos (25% de proantocianidinas) foi avaliado em 12 mulheres com histórico de seis episódios de ITU ao ano. Durante o período do estudo nenhuma delas apresentou infecção, e aquelas que mantiveram o uso de suplementos a base de cranberry não apresentaram nenhum episódio até os dois anos que foram contactadas.   

Pela riqueza de compostos bioativos flavonóides, como quercetina e mirecetina, com propriedades antioxidantes, a aplicabilidade do cranberry não se restringe apenas à prevenção de infecções do trato urinário. Um estudo com suplementação de 7mL/kg de peso de cocktail de suco de cranberry a homens saudáveis por 14 dias mostrou aumento de 6% na capacidade antioxidante do plasma e redução de 10% da LDL oxidada. Embora tenha sido um estudo com limitações como a falta de grupo placebo e curta duração da intervenção, a relevância fisiológica desses resultados nos aspectos cardiovasculares deve ser ainda mais explorada.  Em outro trabalho, 250 mL de cocktail de suco de cranberry de baixa caloria ao dia por 4 semanas aumentou os níveis de HDL em 8% em homens obesos sem outras alterações nos hábitos alimentares, um nível de aumento semelhante ao obtido com o uso de fibratos.

Outra aplicação interessante da cranberry se refere à sua propriedade de inibir a colonização da superfície dentária por streptococci oral e desenvolvimento da placa dental, a qual tem implicações na etiologia das cáries e doenças periodontais. Ao reduzir a hidrofobicidade dos microrganismos, reduz sua aderência à superfície dentária e a formação de biofilmes.

Mas algumas ressalvas devem ser feitas quanto ao seu consumo. Em indivíduos controles e indivíduos com história de cálculos renais de oxalato de cálcio estudou-se o consumo de 1L de cocktail de suco de cranberry (27% do concentrado) por 7 dias e comparou-se com igual período no qual os voluntários receberam água deionizada. Houve aumento significativo de cálcio urinário (de 154 para 177 mg) e oxalato urinário (de 26.4 para 29,2), aumentando a saturação urinária de oxalato de cálcio em 18%. No entanto, o consumo do suco reduziu os níveis de ácido úrico urinário (de 544 para 442 mg/dia) assim como as concentrações séricas. Se por um lado, o consumo do suco possa ser interessante para redução de ácido úrico, por outro tem o potencial de aumentar os riscos de formação de oxalato de cálcio. Em outro estudo com apenas 5 voluntários saudáveis, o consumo de cápsulas de cranberry segundo recomendações do fabricante por 7 dias aumentou em 44% a excreção de oxalato e em 50,7% a supersaturação de oxalato de cálcio. Embora tenha provocado também o aumento nos níveis dos minerais inibidores da formação de cálculos, magnésio e potássio na urina (em 47% e 67% respectivamente), o uso em pacientes com tendência a formação de cálculos deve ser realizado com cautela. Um tablete de concentrado de cranberry de 450 mg equivale a 2880 mL de suco concentrado de cranberry segundo informações do rótulo. Se o conteúdo de oxalato no tablete for proporcional ao conteúdo presente na quantidade equivalente do suco concentrado, o uso de 2 tabletes diários como recomendado pelos fabricantes forneceria em torno de 363 mg de oxalato ao dia.  

Outra ressalva em relação ao uso de suco de cranberry deve ser feita a pacientes em uso de warfarina. Embora a interação da droga com o suco de cranberry não esteja comprovada, alguns relatos de hemorragia sugerem cuidado. Uma hipótese plausível dessa interação se deve ao fato do suco conter muitos antioxidantes (como os flavonóides) capazes de inibirem as enzimas citocromo P450. Como a warfarina é metabolisada pela P450 CYP2C9, a inibição dessa enzima aumentaria a ação da droga.

Não seja pelas ressalvas feitas, a única limitação para o uso do suco de cranberry para muitos é o preço: um litro do suco custa em torno de R$ 11,00. Tem coisas que têm um preço alto, outras não têm preço:  a saúde, e uma vida livre de ITU é uma delas!   

*Texto elaborado pela bolsista de pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional da VP Consultoria Nutricional Tatiana Fiche.

Matéria publicada na Revista Boa Forma aborda o tema TPM, variação hormonal e nutrientes. Os sinais que representam a TPM são citados, destacando os mais comuns neste período caracterizados pelo inchaço, irritabilidade e dor de cabeça. Estudo citado na matéria sugere que o consumo de cálcio e vitamina D, este segundo por favorecer a absorção do primeiro pelo organismo, amenizam os sintomas apresentados nesta fase.

Estudos indicam que os primeiros sintomas da TPM foram descritos por Hipócrates por cefaléia e agitação neste período. Logo, pode-se perceber que as evidências já são descritas pela literatura há muito tempo.

A desintoxicação hepática é citada como fator importante para a regulação hormonal, atuando de forma significativa na inflamação.

Ainda na matéria é citado o bom funcionamento do intestino, primordial na eliminação de toxinas. Nutrientes que modulam a produção de dopamina, endorfina e serotonina são fundamentais para o equilíbrio emocional das mulheres no período da TPM.

O cálcio é um nutriente de suma importância não apenas no metabolismo ósseo, mas ainda na regulação hormonal, contribuindo para melhora dos sintomas apresentados na TPM. No entanto, por sua absorção ocorrer também no intestino, é necessário que o mesmo esteja íntegro, facilitando desta forma o aproveitamento deste nutriente. A absorção e os requerimentos de cálcio oscilam durante a vida e dependem ainda da faixa etária do indivíduo e condições clínicas. O aumento das necessidades deste nutriente é verificado durante o crescimento, gravidez, lactação, situações onde ocorre deficiência de cálcio, e na atividade física que resulta em alta densidade óssea. Nestes períodos a absorção do cálcio é intensificada.

A vitamina D é necessária para que possa ocorrer uma absorção adequada de cálcio pelo organismo. Por sua vez, esta vitamina está disponível a partir da ação da luz solar na pele, logo, a quantidade necessária através da forma dietética é extremamente variável de indivíduo para indivíduo.

Fontes alimentares de cálcio de origem vegetal são mais interessantes por auxiliarem na alcalinização do sangue, fazendo com que o cálcio seja mais biodisponível em suas funções, evitando a excreção. Além disso, o poder alcalinizante auxilia na diminuição do risco de diversas doenças. Boas fontes alimentares são: brócolis, couve e feijões.

Existe uma grande variação individual ao se tratar da absorção do cálcio pelo organismo, estando esta situação condicionada à presença de Vitamina D e ao aporte de cálcio disponível pela alimentação.

Em estudo realizado com mil mulheres com TPM e duas mil sem o problema, verificou-se que aquelas que não possuíam TPM ingeriam mais alimentos ricos em cálcio e vitamina D, se comparadas com as que apresentavam a síndrome. Outras pesquisas já haviam comprovado a influência do cálcio e da Vitamina D nos níveis de estrogênio no organismo.

Outros nutrientes também já foram associados com melhora de sintomas da TPM como o triptofano e os cofatores para produção de serotonina, como é o caso do magnésio (atuante em conjunto com o cálcio), vitamina B6, B12 e ácido fólico. Estes nutrientes podemos encontrar em cereais integrais, oleaginosas e hortaliças em geral.

Portanto, ressalta-se afinal que uma dieta equilibrada nutricionalmente é sem dúvida fator determinante para o bom funcionamento do organismo, incluindo neste período da vida das mulheres, onde a necessidade nutricional torna-se ainda mais aprimorada, e nutrientes específicos citados acima se fazem necessário.

** Texto elaborado pela Dra. Mayara Zagonel de Souza, aluna bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

Ingredientes:
1/2 maçã verde
2 folhas de couve manteiga
240 ml de água de coco ou chá branco
Suco de 1/2 banda de limão
1 colher de biomassa de banana verde ou 1/3 de uma banana verde congelada

Modo de Preparo:
Bata tudo no liquidificador e coe. Sirva com gelo, se preferir.

Grau de dificuldade – fácil.
Rendimento: 1 porção

*Receita elaborada pelo Chef. Renato Caleffi do Le Manjue Bistrô.

Em Abril de 2010, a revista Época publicou um artigo intitulado: “Comer mal é um vício ou temos escolha?”, no qual citava uma pesquisa que relacionou a compulsão por alimentos gordurosos ao vício em drogas como a cocaína e a heroína.

Normalmente, o termo dependência química é associado às drogas como cocaína, heroína ou crack. A orientação é manter a distância destas drogas chamadas ilícitas. No entanto, a comida gordurosa, que está muito próxima de nós também está sendo acusada de causar dependência. Uma pesquisa da revista Nature Neuroscience realizada em ratos sugeriu que o consumo de alimentos ricos em gordura causaria uma dependência semelhante à observada em viciados em cocaína ou heroína. O estudo, feito pelo Scripps Research Institute, no Estado americano da Flórida, afirma que, assim como o vício em drogas, a compulsão por comidas gordurosas, como doces e frituras é extremamente difícil de ser combatida porque seria o mesmo mecanis¬mo cerebral do vício humano em drogas.

Esta pesquisa dividiu os ratos em três grupos, de acordo com o tipo de dieta oferecida: o primeiro recebia uma dieta balanceada, o segundo uma alimentação saudável, mas tinha acesso durante uma hora por dia a alimentos com alto valor calórico, e o terceiro grupo comia apenas alimentos calóricos. Os animais do terceiro grupo comeram compulsivamente e após 40 dias estavam mais gordos e tiveram os centros cerebrais de prazer acionados da mesma maneira que ratos drogados com cocaína e heroína. A experiência ofereceu alimentos que provocam obesidade se consumidos em excesso, como bacon, salsichas e cheesecakes e os animais começaram a engordar imediatamente. Da mesma forma como ocorre no cérebro dos dependentes químicos, os ratos superalimentados apresentaram uma redução acentuada nos níveis de substâncias responsáveis pelas sensa¬ções de prazer, conhecidas como receptores de dopamina. O mecanismo pelo qual isto ocorre é simples: drogas como a cocaína ou alimentos gordurosos estimulam a liberação de dopamina, mas com ela em excesso, o organismo se defende, reduzindo o número de receptores. Após a redução dos receptores, o organismo fica menos sensível, ou seja, necessita de quantidades de gordura cada vez maiores para que o cérebro se sinta saciado, assim como, se a redução nos receptores continuar, o vício se instala. O estudo confirmou em laboratório pela primeira vez o que muitos especialistas já desconfiavam sobre o vício causado por alguns tipos de alimentos.

Segundo Paul Kenny, que coordenou a pesquisa de três anos, uma dieta com alimentos gordurosos vicia, pois os animais perderam completamente o controle sobre seu hábito alimentar, o primeiro sinal de vício. Assim como, eles permaneceram comendo demais mesmo quando eram avisados que receberiam choques elétricos, mostrando o quão estimulados eles estavam para consumir a comida. O cientista relatou que, quando a dieta foi substituída por alimentos mais saudáveis, alguns deles se recusaram a comer e preferiram não se alimentar. Paul Johnson, coautor do estudo, espera que esta pesquisa mude a maneira como muitos pensam sobre comida, pois ela demonstra como a oferta de comida pode causar superalimentação e obesidade. A matéria da revista Época levanta algumas questões sobre o vínculo da dependência química ao alimento e sugere que os consumidores seriam manipulados pela indústria do fast-food da mesma forma como as pessoas são aliciadas por traficantes para o consumo de drogas. Assim como, apoiaria os que consideram a indústria de alimentos inescrupulosa por tornar as pessoas reféns e que ela não se preocuparia com a saúde dos consumidores. Logo, as pessoas precisariam de regras quase policiais para controlar a alimentação da mesma forma como precisa da polícia antidrogas. Além do que, estas questões não seriam solucionadas através do livre-arbítrio de cada um, mas sim através de evidências científicas.

Em 1981, outro estudo também com ratos e tóxicos, realizado pelo psicólogo canadense Bruce Alexan¬der, da Universidade Simon Fraser comparou dois grupos de ratos. Um grupo ficava em um parque espaçoso, aqueci¬do e com brinquedos coloridos e outro gru¬po de ratos ficava engaiolado e rece¬bia água com morfina por 57 dias, até ficar viciado e depois foi oferecida água pura como opção. O grupo engaiolado permaneceu bebendo água com morfina e o do parque diminuiu gradualmente o consumo da droga. Este último, mesmo com sintomas de abstinência, quando recebiam água com morfina, preferiam beber água pura. Este pesquisador concluiu que em um am¬biente saudável, os ratos (e por analogia talvez o ser humano) são capazes de se livrar mais facilmente de um vício, sendo necessárias apenas as condições para realizar a escolha certa. Substâncias viciantes, como o álcool, tabaco, remédios e uma infinidade de substâncias ilegais estão sempre por perto, mas não causam obrigatoriamente o vício. Em relação aos alimentos ocorre da mesma forma, onde o vício dependerá das escolhas individuais e das circunstân¬cias. Segundo o psiquiatra Marcelo Niel, da Universi¬dade Federal de São Paulo, há diferentes predisposições ao vício que dependem de fatores gené¬ticos e ambientais, dentre as quais alguns se tornam usuários de drogas recreativamente sem serem viciados, enquanto outros se tornam dependentes, mas que precisam ser melhor esclarecidos. O comportamento compulsivo seria uma válvula de escape para ativar centros de prazer. Segundo Niel, alguns pacientes que comem por compulsão, ao tirarmos a comida, eles podem desen¬volver sintomas psiquiátricos mais pro¬nunciados.

Outros mecanismos além dos citados na matéria podem estar envolvidos na relação do consumo de gordura e obesidade. Em 2010, uma pesquisa da revista científica The Journal of Neuroscience, em animais, concluiu que a exposição materna durante a gestação a uma dieta com elevado teor de gorduras, independente da obesidade materna, aumenta o risco de desenvolver distúrbios comportamentais no feto, tais como a ansiedade. A ansiedade seria causada por alterações nos mecanismos da serotonina, um neurotransmissor (envolvida na comunicação entre as células do cérebro) que parece ter algumas funções, como controle da liberação de alguns hormônios e a regulação do sono, do apetite e ansiedade.

A pesquisa compara o vício às drogas ilícitas ao vício por alimentos gordurosos, o que estaria diretamente relacionado ao maior risco de obesidade. Um questionamento importante também é o real papel e poder da indústria alimentícia frente ao estímulo de tal vício. O tema abordado abre novas perspectivas para o tratamento da obesidade, como por exemplo, aplicar estratégias utilizadas para o tratamento de dependência química no tratamento da obesidade. Além disso, para prevenir a dependência de alimentos calóricos é necessário ter hábitos alimentares saudáveis e de preferência desde a infância.

*Texto elaborado pela Dra. Erika Santinoni, aluna bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional - VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

Tida por muitos como a “fruta do pecado”, a maçã tem esse status desde antes da história da humanidade e, atualmente, tem sido alvo de diversos estudos no meio científico. A Revista Saúde, em sua edição 0322, destacou alguns dos benefícios dessa fruta.

Quais os reais benefícios que a maçã, tão falada atualmente, proporciona a nossa saúde? Esse artigo tentará explicar um pouco sobre as diversas funções que ela pode trazer ao nosso organismo.

Diversos estudos mostram que a maçã possui em sua composição uma vasta variedade de nutrientes (vitaminas do complexo B, C e E), potássio, fibras, flavonoides (substâncias que agem como antioxidantes combatendo os radicais livres que podem danificar o DNA). Isso faz com que ela se torne um alimento com possível propriedade funcional, pois com essa composição ela tem propriedades que irão facilitar a digestão, controlar os níveis de colesterol, diminuindo o surgimento de alergias e irritações, além de auxiliar na prevenção de certos tipos de câncer, na diminuição do apetite, e no retardo do envelhecimento precoce, bem como ajudar no processo de emagrecimento.

Pesquisas também têm mostrado que os flavonoides presentes na maçã ajudam a proteger o organismo contra doenças coronárias e contra o câncer.
 
Um desses flavonoides presentes na maçã é a quercetina, que ajuda a diminuir a formação de radicais livres e por possuir pectina (uma fibra solúvel que ajuda a controlar o nível de colesterol no sangue) contribui para a redução dos níveis colesterol LDL e manutenção dos níveis glicêmicos, além de possuir frutose (açúcar presente nas frutas e mel) que é absorvida lentamente pelo organismo, o que evita o aumento do nível de glicose no sangue de forma acentuada. Por essas e outras razões, ela ajuda no processo de emagrecimento. Pelo fato da maçã ser um alimento rico em fibras, acaba contribuindo no aumento da saciedade e também tem importante função no tratamento e prevenção das doenças cardiovasculares.

No caso das fibras, elas fazem uma “faxina”, enviando deposição de alimentos no intestino. O ideal é que a maçã seja consumida com a casca, mas antes tem que ser bem lavada. Fazendo assim, serão ingeridas as vitaminas, minerais e fibras presentes nessa fruta que irão contribuir para uma melhora do peristaltismo (série de contrações musculares que ajudam a movimentar o alimento pelo trato gastrointestinal), facilitando assim o processo de digestão e tornando a eliminação fecal mais fácil e rápida, diminuindo o risco de  aparecimento de hemorroidas, diverticulites, fissuras e câncer de cólon.
Outro benefício que a maçã pode proporcionar é uma melhora nas atividades do cérebro, pois também possui em sua composição uma substância chamada ácido fosfórico, que pode ajudar a combater a perda de memória, prevenindo assim um aumento de danos por oxidação dos tecidos cerebrais.

A pirâmide alimentar recomenda o consumo de 2 a 4 porções de fruta ao dia, mas isso não quer dizer que temos que comer de 2 a 4 maçãs por dia, pois o consumo isolado de um alimento não fornecerá todos os nutrientes que nosso organismo necessita para seu funcionamento normal. É preciso variar as frutas que são consumidas diariamente.

Devido ao teor elevado de nutrientes e fibras, a maçã é uma boa fonte alimentar que pode ser indicada para manter uma vida mais saudável, bem como prevenir o surgimento de algumas doenças. Assim como a maçã, o consumo de outras frutas e verduras irá desempenhar efeitos protetores contra diversas doenças.

Para maiores esclarecimentos de como ter uma alimentação saudável, que proporcione uma melhora na qualidade de vida, é ideal que se procure um profissional nutricionista, fazendo assim, as pessoas estarão conscientes da importância do consumo regular de alimentos mais saudáveis para a manutenção de uma boa saúde.

** Texto elaborado pelo Dr. Naum Charles, aluno bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

Estudos indicam que pacientes que já sofreram alguma complicação cardíaca não modificam hábitos alimentares em função disso. Apesar das mudanças alimentares e práticas de exercícios físicos regulares reduzirem pela metade a chance das pessoas terem novas complicações, os pacientes não mudam hábitos já existentes, sendo que os ataques cardíacos atingem tanto homens quanto mulheres e o risco do mesmo ocorrer aumenta com a idade.

Mudanças no estilo de vida e redução de peso corporal atuam de forma benéfica na prevenção de doenças cardiovasculares, sendo essa complicação classificada como a principal causa de óbito no Brasil, atingindo todas as faixas etárias.

Em decorrência de a adolescência ser o período da vida onde hábitos relacionados à alimentação, bem como atividade física, são formados, é de suma importância que existam medidas preventivas a serem estabelecidadas para esta faixa etária. Hábitos errôneos podem levar ao desenvolvimento de patologias como excesso de peso, hipertensão arterial, dislipidemias entre outros, o que consequentemente aumenta o risco de complicações cardiovasculares.

Em um estudo, foram avaliados hábitos na infância e adolescência, identificando que fatores como o uso excessivo de bebidas alcoólicas e cigarro já se inicia entre a 5ª e 8ª série, o que reforça a importância de medidas preventivas serem aplicadas neste período, no sentido de prevenir futuras complicações para a saúde, tornando essencial o desenvolvimento de ações educativas entre o público escolar.

Pessoas fumantes que sofreram alterações cardiovasculares não deixam do hábito após ocorrência do episódio, medida que seria essencial na prevenção de uma reincidência no problema cardiovascular. Em um estudo, é indicado que o tabaco teria uma ação aterogênica, destacando, entre outros fatores predisponentes, a doença cardiovascular, a hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemias, excesso de peso, falta de atividade física, idade e sexo.

Paralelamente, com a modernidade e a tecnologia surgem as modificações no padrão alimentar da população, bem como em seu estilo de vida como um todo. O sedentarismo, comum atualmente, favorece o acúmulo de energia, e o ritmo de vida acelerado facilita o consumo de produtos pré-preparados, os quais normalmente possuem um elevado valor calórico e baixo teor de nutrientes. O fato das pessoas tornarem-se mais sedentárias e possuírem hábitos alimentares errôneos favorece problemas de saúde como a obesidade, hipertensão e consequente alterações cardiovasculares.

Existe uma tendência ao consumo de alimentos industrializados, em decorrência também de uma maior demanda pelo mercado, sendo que, de acordo com uma pesquisa realizada, os alimentos que apresentam maior crescimento de vendas têm sido os chamados “alimentos instantâneos”, como sopas industrializadas e macarrão instantâneo.

Normalmente, os alimentos acima citados são ricos em gorduras e carboidratos refinados, o que implica em um valor calórico elevado e são as chamadas “calorias vazias”. O consumo exacerbado de alimentos industrializados toma o lugar de alimentos in natura, como frutas e verduras e de refeições completas, as quais são substituídas por lanches prontos.

O fato destas drásticas mudanças alimentares, que aconteceram e vêm se agravando com o passar dos tempos, contribui certamente para muitas alterações na saúde, tornando as doenças cardiovasculares uma complicação cada vez mais comum. Hábitos alimentares saudáveis associados à atividade física são, sem dúvida, a melhor forma de contribuir para uma boa qualidade de vida, evitando possíveis complicações metabólicas.

** Texto elaborado pela Dra. Mayara Zagonel de Souza, aluna bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

Na edição de abril de 2010, a Revista Saúde abordou uma matéria sobre a quinua, um alimento que tem se tornado presente no cardápio dos brasileiros.

Esse pseudocereal, como é definido pela botânica, é um alimento isento de glúten e um parente distante do espinafre, pois essas plantas são bastante semelhantes.  Ela é um vegetal originado dos Andes e que começou a ser pesquisado no Brasil nos anos 90.

Ela é considerada um alimento extremamente nutritivo e seu conteúdo de nutrientes é superior ao de outros cereais. A quinua possui aminoácidos essenciais, carboidratos na forma de amido, fibras e alguns minerais dos quais se destacam o ferro, magnésio, zinco, potássio, vitaminas do complexo B (B1, B2 e B3), D e E.

Estudos têm mostrado que a quinua pode ser indicada no tratamento de algumas patologias como a anemia (onde apresenta uma quantidade de ferro de 5,2 mg/100g, quando comparada a outros cereais), problemas urinários e de fígado, desnutrição crônica (por apresentar alto valor biológico) e osteoporose (apresentado 107mg de cálcio a cada 100g). Atua na redução de danos gastrintestinais, na parte imunológica e auxilia na regulação dos níveis de colesterol.

Ela também apresenta uma quantidade de ácidos graxos essenciais em um nível superior aos demais cereais, onde aproximadamente 60% são de ômega 6 (linoleico) e ômega 3 (linolênico), que são gorduras importantes para o funcionamento do nosso organismo, assim como no auxílio da redução do colesterol total,  LDL e triglicérides.

O consumo desse grão é indicado especialmente para vegetarianos, diabéticos, grávidas, lactantes, idosos e praticantes de atividades físicas. A quinua contém uma quantidade elevada de lisina, quando comparada a outros grãos como a soja, o milho, o trigo e o leite, e, por isso, pode ser indicada para crianças e adolescentes em fase de crescimento. Ela também está relacionada ao sistema cognitivo, onde ajuda na inteligência, melhora dos reflexos e funções relacionadas com a memória e aprendizagem, pois possui uma boa fonte de triptofano, aminoácido que está ligado à produção de serotonina, que por sua vez é responsável pela modulação do humor, disposição e bem-estar.
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Vegetarianos restritos (que não consomem carne, leite e derivados, onde são encontradas as maiores fontes proteicas), atletas (que necessitam de um maior consumo de aminoácidos), celíacos (que são intolerantes ao glúten – derivado do trigo) e populações carentes de países subdesenvolvidos, formam o grupo mais bem auxiliado pelas propriedades da Quinua.

Existem diversos tipos de grão de quinua, onde a branca, vermelha e preta são as mais consumidas no Brasil, mas pesquisas indicam que a quinua real branca é um dos tipos que apresenta uma composição mais completa quando comparadas as demais.

Esses grãos podem ser utilizados nas mais diversas preparações, como nas saladas, bolinhos com legumes ou serem cozidos da mesma forma que o arroz, podendo substituí-lo. Os flocos podem ser consumidos, principalmente, nas preparações do café da manhã, acompanhando frutas, sucos, salada de frutas e vitaminas. No caso das farinhas, elas podem fazer parte das receitas de massas, pães, bolos e tortas.

Estudos mais aprofundados são necessários para se saber quais são os reais benefícios desse alimento para nossa saúde.

O ideal é não utilizar esse alimento isoladamente, mas sim acompanhado de hábitos saudáveis de vida, com rodízio de seu consumo, junto com uma dieta equilibrada e a prática de atividades físicas regulares, sob orientação de um profissional. E lembre-se: o nutricionista é o profissional melhor qualificado para cuidar da sua alimentação.

** Texto elaborado pelo Dr. Naum Charles, aluno bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

A partir da conclusão do Projeto Genoma Humano, em que foram identificados cerca de 30000 genes, começou-se a associar a presença/ ausência de ativação de determinados genes nos indivíduos como possíveis causas de algumas enfermidades crônicas, como aterosclerose, hipertensão arterial, diabetes, câncer e infarto do miocárdio.

Nas últimas décadas, comprovou-se também, que o ambiente interferia na atividade desses genes, o que se denominou por fenótipo, ou seja, a relação entre o ambiente pode determinar a expressão gênica. Entre os fatores ambientais que podem determinar a ativação ou inibição de genes, estão a exposição à radiação solar, à substâncias mutagênicas e outros xenobióticos, como o tabaco; a alimentação e a prática ou não de atividade física.

Com o reconhecimento de que a alimentação (nutrientes/ compostos bioativos) apresenta a habilidade de interagir e regular mecanismos moleculares levando o organismo a ter suas funções fisiológicas melhores ocasionou-se uma revolução na área da Nutrição e deu origem à ciência da Nutrigenômica.

A Nutrigenômica pode ser assim definida, como o estudo da interação entre a expressão do gene e os nutrientes e tem por objetivo determinar como a nutrição afeta as variações genéticas e os eventos epigenéticos (qualquer modificação no funcionamento do DNA sem alterar a sua seqüência, modificação esta que pode se manter até duas gerações).

Do ponto de vista tecnológico, o aparecimento da Nutrigenômica foi favorecido pelo desenvolvimento das ferramentas ômicas ocorrido na última década. Dentre esses instrumentos, destacam-se as que possibilitam a análise de como os nutrientes interferem na síntese de RNA mensageiro (RNAm) (transcriptoma/ transcriptômica), na síntese de proteínas (proteoma/ proteômica) e de produtos metabólicos (metaboloma/ metabolômica). Essas ferramentas se combinam e formam os Sistemas Biológicos Nutricionais.

Paralelamente a esses estudos surge outro termo no ramo da Nutrição, a Nutrigenética, que mesmo sendo utilizado por muitos como sinônimo de Nutrigenômica, esses conceitos diferem entre si. A Nutrigenética investiga como as variações genéticas diferem em resposta a nutrientes específicos e eventualmente levam a diferentes estados de saúde e doença entre os indivíduos, enquanto a Nutrigenômica estuda a interação dieta-gene, como descrito anteriormente.

O surgimento dessas duas ciências contribuiu de forma significante para o entendimento de alguns princípios básicos da ciência da Nutrição Funcional, como o da individualidade bioquímica, que determina que cada ser é único e responde de forma diferente aos componentes da dieta, ou seja, um determinado alimento pode ser benéfico para um indivíduo e causar efeitos opostos em outro. Também, por meio da identificação do seqüenciamento de genes e de suas funções, vários estudos têm se empenhado em determinar quais genes estão mais ativados em indivíduos com uma mesma doença e qual a relação da alimentação no quadro, o que em um futuro não muito distante poderá ser utilizado pelos Nutricionistas para prescrição de uma dieta individualizada, levando em consideração o metabolismo e as condições fisiológicas de cada indivíduo.

Um exemplo da aplicação desses estudos pode ser observado em uma meta-análise publicada em 2006 por Reszka e colaboradores, que observou que o polimorfismo dos genes CYP2E1 induz o aumento da atividade enzimática e juntamente com o consumo de carne vermelha ou carne vermelha processada estão associados ao desenvolvimento de câncer colorretal, especialmente entre caucasianos estadunidenses consumidores de carne vermelha bem passada. Já o consumo elevado de carne vermelha entre mulheres caucasianas canadenses no período pós-menopausa e o polimorfismo dos genes codificadores da N-acetiltransferase 1 (NAT1) são suscetíveis ao desenvolvimento de câncer de mama. Outro estudo cita o polimorfismo do gene codificante da enzima antioxidante superóxido dismutase dependente de manganês (MnSOD). Uma mutação estrutural da enzima com a substituição da valina por alanina parece alterar o transporte mitocondrial, culminando em um risco elevado para o desenvolvimento de carcinoma mamário em mulheres com baixo consumo de frutas e vegetais. O mesmo estudo afirma que mulheres em período pré-menopausa, não suplementadas com vitamina C e α-tocoferol, apresentam um risco significativamente elevado para o desenvolvimento da doença.

Apesar do avanço em biologia molecular, com os estudos que envolvem os conceitos da Nutrigenômica e Nutrigenética, muitas pesquisas necessitam ser realizadas para que cada vez mais as intervenções nutricionais individualizadas para o tratamento de doenças, principalmente as crônicas sejam mais consistentes. Infelizmente, no Brasil, as tecnologias disponíveis para determinação dessas seqüências variáveis ainda possuem um custo elevado, inviabilizando seu uso na prática clínica.

* Texto elaborado pela Viviane Sant’Anna do Departamento Científico da VP Consultoria Nutricional.