EDUCAÇÃO ALIMENTAR NA INFÂNCIA
Na idade adulta quando se pensa em tratamento nutricional pensa-se normalmente em re-educação alimentar, enquanto na infância é possível se trabalhar a educação alimentar. Essa é a idade mais apropriada para ensinar a importância da alimentação e também de criar hábitos alimentares saudáveis. Por isso, desde o início, a alimentação adequada necessária ao bebê já molda o organismo para a próxima etapa e assim por diante. De acordo com artigo: “As crianças amamentadas, quando comparadas com as não-amamentadas, apresentaram melhores hábitos no que se refere à época de introdução dos alimentos complementares”.
Infelizmente, fatores importantes conseqüentes do mundo moderno vêm influenciando de forma negativa a qualidade de vida das crianças, iniciando muitas vezes desordens crônicas que se manifestam na idade adulta. Um fator clássico é a influência da indústria alimentícia que, na verdade, não afeta apenas o hábito, mas o comportamento alimentar, ao transmitir o conceito de alimentos “saudáveis” de uma forma prática e rápida. Segundo dados científicos, a estabilidade econômica, o trabalho da mulher fora do lar, maior praticidade, rapidez, durabilidade e boa aceitação do produto, são fatores que contribuem para a introdução e manutenção de alimentos industrializados nos hábitos da família e das crianças. Porém, o que é acontece é que muitos alimentos industrializados são ricos em gorduras e carboidratos refinados, além de serem calóricos. Aliás, o fato de grande parte dos produtos industrializados serem pobres em nutrientes não é o único agravante, pois, ainda, verifica-se que os alimentos industrializados não são adicionados a dieta, mas sim são substitutos dos alimentos “in natura”.
Conforme pesquisa realizada por uma nutricionista e psicóloga, a preocupação dos pais está mais voltada para a quantidade da alimentação, em detrimento a preocupação em desenvolver hábitos e atitudes direcionados a padrões de alimentação mais adequados do ponto de vista qualitativo.
Potente aliada da indústria alimentícia, a mídia vem se mostrando como fator negativo quando se refere à alimentação, principalmente a infantil. Estudo mostrou que “a televisão promove, predominantemente, produtos com altos teores de gordura e/ou açúcar e sal, levando a conclusão de que a predominância desses produtos na alimentação infantil pode estar contribuindo para uma mudança nos hábitos alimentares de crianças e jovens e agravando o problema da obesidade na população”.
Um estudo feito em 2009 indicou que: “alterações nutricionais na infância e adolescência podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares já nessas faixas etárias e também na vida adulta, principalmente diante da presença de fatores de risco como alteração no perfil lipídico e obesidade”.
Se a criança passa uma parte do tempo em casa e outra na escola entende-se que a educação alimentar deve ocorrer e ser respeitada em ambos locais, caso contrário compromete o aprendizado da criança. Já está claro que a prevenção da obesidade infantil deve ser baseada em medidas adequadas de prescrição de dieta na infância desde o nascimento; e sua continuidade se dá com programas de educação que possam ser aplicados no nível primário de saúde e nas escolas, conforme dados científicos.
O vínculo entre os educadores e os pais é de extrema importância para que esse processo ocorra de forma adequada, bem como de um profissional capacitado para ensinar os hábitos alimentares corretos.
** Texto elaborado pela Dra. Debhora Medeiros, aluna bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.