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FERRO – ALIADO DO CÉREBRO DAS CRIANÇAS

Na matéria publicada na edição de junho de 2009 da revista Saúde é Vital, foi abordado o ferro como um mineral essencial para o funcionamento cerebral das crianças. Um estudo que acaba de ser publicado na Revista Paulista de Pediatria mostra que meninos e meninas com anemia por falta de ferro apresentam problemas de desempenho cognitivo — principalmente na área da linguagem. Ou seja, fica atrás no aprendizado quem está com baixos níveis de hemoglobina — a proteína dos glóbulos vermelhos do sangue que é feita deste mineral e que é responsável pelo transporte de oxigênio.

Segundo o Ministério da Saúde, uma em cada cinco crianças brasileiras de todas as classes sociais sofre de anemia, a doença caracterizada pela deficiência de ferro. Alguns especialistas acham que esse número seja até três vezes maior.

Na infância, a alimentação tem um papel importante na saúde da criança, pois seus órgãos estão se desenvolvendo rapidamente, assim como os tecidos e as funções motoras e neurológicas. O aleitamento materno é fundamental. Até os 6 meses, o leite materno deve ser o alimento exclusivo do bebê, pois é o alimento mais completo para essa fase da vida e supre as necessidades de ferro da criança, não necessitando de qualquer forma de complementação e nem de introdução de alimentos sólidos; além disso, o aleitamento materno auxilia o desenvolvimento do sistema imunológico do bebê, evitando alergias e proporcionando um crescimento mais saudável.

A partir dos 6 meses até os 2 anos, é preciso complementar alimentos na alimentação da criança, mas tudo isso deve ser feito gradativamente e em pequenas quantidades. A tolerância da criança deve ser testada, com o aumento progressivo da quantidade e qualidade de alimentos.

O ideal é oferecer à criança diversos grupos de nutrientes, o tal “prato colorido”, o qual deve conter carboidratos, gorduras e proteínas, presentes em verduras, legumes, frutas, cereais, diferentes tipos de carnes e ovos.

É importante se observar que a suspensão do aleitamento materno antes dos 6 meses de idade com a subsequente introdução do leite de vaca, pode aumentar o risco de desenvolvimento de anemia, já que a biodisponibilidade do ferro no leite de vaca é de apenas 10%. Ainda, a introdução precoce do leite de vaca pode estar associada a reações alérgicas pela hipersensibilidade a sua proteína, além de retardo do esvaziamento gástrico, sobrecarga dos rins e diarréia aguda infecciosa. Deve-se evitar, também, o consumo de produtos industrializados (como salgadinhos, sucos de caixinha, refrigerantes, bolachas recheadas, dentre outros) e alimentos que possam causar alergia, como frutos do mar e morangos.

Além disso, o que podemos fazer para evitar que as crianças desenvolvam a anemia?

A melhor forma de prevenção da anemia é o cuidado com a alimentação das crianças desde a introdução dos primeiros alimentos. Os alimentos ricos em ferro são a carne de vaca, frango e peixe, gema do ovo, feijão, soja, lentilha, ervilha, espinafre, brócolis, couve, beterraba e verduras com folhagem mais escuras. Use e abuse deles!

A absorção de ferro de origem vegetal é aumentada quando este é ingerido com a vitamina C, encontrada principalmente nas frutas cítricas (laranja, acerola, limão). Devemos tomar cuidado com alguns tipos de chá, pois inibem a absorção de ferro, assim como o leite de vaca em excesso.

Se a deficiência de ferro for descartada, a anemia pode ter outra causa e precisa ser investigada. São causas da anemia: a deficiência na produção de glóbulos vermelhos, doenças crônicas, doenças renais, leucemia, perdas de sangue, osteoporose, doenças hereditárias, doenças parasitárias (ex: esquistossomose e malária) e deficiência de vitamina B12 (presente principalmente nas carnes).

Na presença de sintomas de anemia, como a dificuldade de aprendizado, além de fraqueza, indisposição, falta de apetite, os pais devem encaminhar seus filhos ao pediatra e ao nutricionista, que juntos, poderão encontrar as melhores estratégias para reverter este quadro e melhorar a saúde e desempenho cognitivo das crianças.

** Texto elaborado pelo nutricionista Naum Charles do Nascimento, aluno bolsista do curso de pós-Graduação em Nutrição Clínica Funcional (VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa)

13 Respostas para FERRO – ALIADO DO CÉREBRO DAS CRIANÇAS »»


Comentário

  1. Comentário de Ana Valéria | 14/07/2009 em 13:42:32

    Olá, achei muito interessante a matéria e o assunto bastante necessário. Pelo fato da correria diária, os pais esquecem, ou mesmo, não dão a devida atenção á alimentação das crianças, o que leva á problemas nutricionais.
    Parabéns pelo blog….cada dia melhor!!!!!!
    Beijos

  2. VP
    Comentário de VP | 21/07/2009 em 10:25:42

    Olá Ana Valéria,

    Ficamos felizes que o blog esteja contribuindo com a formação dos profissionais!

    Esperamos continuar recebendo sua participação em nosso blog!

    Beijos

    Dra. Valéria Paschoal

  3. Comentário de otilia naiene | 15/09/2009 em 20:57:17

    to preucupada a minha unha esta escura e sai pus.bjs otilia

  4. Comentário de otilia naiene | 15/09/2009 em 21:05:19

    to feliz por estar no vosso blog .bjs otilia

  5. Comentário de milena | 16/09/2009 em 23:27:10

    muito boas as dicas!!
    estou iniciando uma deta noa com meu bebe e gostaria saber e a banana verde cozida pode ser oferecida aos bebes na foma de papinha ou outra forma?

    grata

  6. Comentário de Fernanda | 21/09/2009 em 16:09:02

    Olá! Muito interessante a matéria.
    Como descrito na matéria, o consumo de alimentos fontes de ferro devem ser aliados a alimentos ricos em vitamina C.
    A acerola é uma fruta cítrica ou é apenas rica em vitamina C?
    As frutas cítricas não são apenas da família da laranja e do limão?

    Obrigada!

    Fernanda

  7. VP
    Comentário de VP | 22/09/2009 em 16:58:31

    Otília,

    A liberação de pus é um sinal de que você pode estar com alguma contaminação específica por bactérias nessa região. Portanto, é imprescindível que você procure um profissional dermatologista que irá realizar o tratamento adequado para este caso específico.

    Caso a alteração nas unhas permaneça mesmo após a resolução deste problema, pode ser um sinal de algum tipo de deficiência de nutrientes. Neste caso, uma avaliação nutricional completa e individualizada irá determinar quais as melhores estratégias para equilibrar seu organismo e oferecer todos os nutrientes que seu corpo precisa em doses adequadas.

    Caso você tenha interesse, podemos indicar o contato de um profissional nutricionista que atue mais próximo de sua região.

    Um abraço e muito obrigada pela participação em nosso blog!

    Dra. Valéria Paschoal

  8. VP
    Comentário de VP | 28/09/2009 em 13:55:40

    Olá Milena,

    A banana verde cozida pode entrar no cardápio da criança, assim como qualquer outra fruta na introdução alimentar. Talvez a aceitação não seja boa pelo sabor característico, portanto, talvez seja necessário misturar com outra fruta, mas lembre-se de introduzir uma fruta de cada vez para ver a aceitação do bebê.

    Um abraço.

    Dra. Valéria Paschoal.

  9. VP
    Comentário de VP | 28/09/2009 em 14:33:52

    Olá Fernanda,

    Exatamente, a acerola é uma fruta rica em vitamina C, mas não é uma fruta cítrica. Para uma melhor absorção do ferro não a necessidade que seja uma fruta cítrica, bastar ser fonte de vitamina C.

    Um abraço.

    Dra. Valéria Paschoal.

  10. Comentário de Sandra | 04/11/2009 em 10:08:08

    Olá, gostaria de tirar uma dúvida. Minha filha de 1 ano e 11 meses, está com hemoglibina um pouquinho baixa e entramos com medicamento Neutrofer. Iniciamos com uma gota e quando chegamos a +- 15 gotas começou com diarréia. Paramos demos um tempo e a pediatra pediu pra voltar com no máximo 10 gotas, só que no 5º dia deu diarréa novamente.
    Devemos fazer algum exame pra tirarmos esta ducia? Como proceder neste caso.
    Obrigado

  11. VP
    Comentário de VP | 04/11/2009 em 13:00:42

    Olá Sandra,

    A diarréia é um dos efeitos adversos que podem ocorrer com a suplementação de ferro. Neste caso procure novamente o médico responsável para fazer uma reavaliação e decidir em reduzir a dose ou trocar o suplemento. Valeria a pena refazer o exame sim para avaliar se ainda há necessidade.

    Mas lembre-se, se sua filha apresentou queda de hemoglobina, provavelmente algum processo alimentar está com problemas, portanto, procure também um nutricionista para avaliar a alimentação, combinação e processo de digestão de sua filha para atingir a causa do problema e não apenas remediar.

    Um abraço!

    Dra. Valéria Paschoal.

  12. Comentário de Fernanda Gomes | 18/12/2009 em 14:10:14

    Olá Valéria!

    Fui aluna da primeira turma do curso de Nutrição Clínica Funcional em Brasília. Desde então me apaixonei pela nutrição funcional.

    Atualmente, estou com uma filha de 5 meses e meio e já comecei a introduzir os alimentos pois terei que voltar a trabalhar. A pediatra prescreveu sulfato ferroso para minha filha.

    Gostaria de um opinião sua, pois não gostaria de fazer essa suplementação, e gostaria de saber se realmente é necessária a suplementação de ferro ou se através da alimentação é possível atingir os níveis necessários desse mineral. Continuo amamentando nos intervalos.

    Agradeço a atenção!

    Fernanda

  13. VP
    Comentário de VP | 06/01/2010 em 09:20:27

    Olá Fernanda, como vai?

    A suplementação de ferro é orientada quando há a deficiência de ferro diagnosticada por exames bioquímicos ou sinais e sintomas de sua deficiência. Caso contrário, a introdução de alimentos associada com a complementação do leite materno é suficiente para garantir o aporte adequado dos nutrientes.

    Sendo assim, é interessante que você realize uma avaliação para verificar a real necessidade da suplementação de ferro em sua filha. Caso seja necessária, é interessante também avaliar a biodisponibilidade do ferro a ser suplementado, pois sabemos que o ferro quelado tem maior absorção e utilização pelo organismo, sendo sua suplementação mais recomendada.

    Estamos a disposição para maiores esclarecimentos.

    Um abraço,

    Dra. Valéria Paschoal


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