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Dieta rica em proteína: vilã ou mocinha?

Na edição de maio de 2009 da revista Boa Forma divulgou-se em pequena nota os resultados de um estudo conduzido nos Estados Unidos, em que uma dieta com maior proporção de proteínas (40% do valor calórico total da dieta ou VCT) em relação às recomendações do guia da pirâmide alimentar (15% do VCT) resultou em melhores resultados na porcentagem de gordura perdida, embora a perda de peso total tenha sido semelhante entre ambos os grupos.

A busca por fórmulas de emagrecimento sem muito sacrifício e sem passar fome é constante. Antes de pensar em qual tipo de dieta seguir é importante entender que, dentre outros fatores, o ganho de peso resulta da ingestão calórica excessiva em relação ao gasto energético, e além disso, alguns estudos têm demonstrado também a importância da distribuição dos macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras), o conteúdo de micronutrientes (vitaminas e minerais) e componentes dietéticos específicos (antioxidantes) para o emagrecimento saudável.

O processo de emagrecimento ideal seria aquele em que o indivíduo conseguiria aderir à dieta em longo prazo, perder peso de forma gradual, favorecendo a mudança da composição corporal, resultando no famoso “perder gordura e manter ou ganhar massa muscular”. Pesquisas têm mostrado o potencial de dietas ricas em proteínas, e com quantidades moderadas de carboidrato e gordura em atender esses critérios.

As atuais recomendações de ingestão de proteína preconizam 0,8g de proteínas de alto valor biológico/kg de peso corporal, o que geralmente representa 15% das calorias totais da dieta; quantidades além do que a RDA preconiza seriam consideradas desnecessárias e sem valor nutricional, e até prejudicial para os rins e ossos, sendo este último fator o principal ponto de divergência de opinião entre os profissionais. Porém, o Food and Nutrition Board reconhece que podem existir variabilidades entre indivíduos, e estabelece níveis de ingestão entre 0,8 a 2,5g de proteína/kg de peso corporal como níveis aceitáveis. É importante entender que a quantidade total de proteína no final do dia é individual, uma vez que se relaciona ao peso corporal e deveria ser mantida virtualmente constante independente do nível de ingestão energética, ou seja, o percentual calórico da dieta não deveria ser a referência.

As hipóteses para explicar o melhor perfil de perda de peso em dietas ricas em proteína incluem o aumento da queima de gordura, o aumento da saciedade e diminuição da fome, e a substituição de alimentos ricos em carboidratos refinados por carboidratos integrais (de baixo índice glicêmico), que reduzem as taxas de glicose no sangue após as refeições.

A associação de dieta rica em proteínas com carboidratos de baixo índice glicêmico pode mostrar-se uma boa alternativa não só para perda de peso, mas para outros benefícios à saúde. Estudos mostraram que dietas de baixo índice glicêmico melhoram o controle da glicemia, melhoram os quadros de dislipidemia,  e diminuem a inflamação e o risco de doenças cardiovasculares.

Porém, preocupações ainda persistem em relação à ingestão protéica aumentada e o equilíbrio ácido-básico no sangue e rins. O metabolismo da proteína dietética forma ácidos e isso promove redução do pH do sangue. O esqueleto ósseo é um reservatório de sais alcalinizantes de cálcio, que passa a ser mobilizado para neutralização desses ácidos. Portanto, pode ocorrer diminuição do cálcio ósseo e da para normalizar o pH do sangue, o que pode aumentar o risco de desenvolvimento de osteoporose e fraturas ósseas. Desta forma, a influência da ingestão da proteína no balanço de cálcio e na saúde óssea permanece controversa, e talvez seja o principal ponto vilão da dieta rica em proteína, principalmente em longo prazo.

Portanto, a dieta de proteína pode ser considerada eficiente para perda de peso, mas deve ser acompanhada por um nutricionista para monitoramento renal, determinação segura da quantidade de carboidratos, da quantidade e fonte de proteína. Alguns minerais podem ser importantes para alcalinizar o meio e manter o pH elevado, bem como a restrição de sal é importante para evitar maiores perdas de cálcio. Devemos lembrar sempre que a melhor estratégia para promover o equilíbrio do organismo e promover a consequente perda de peso, é a adoção de uma alimentação saudável, rica em macronutrientes, vitaminas, minerais, fibras, compostos bioativos, e que esta seja uma orientação individualizada, realizada por um profissional capacitado.

*Texto elaborado pela Dra. Tatiana Fiche, aluna bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

2 Respostas para Dieta rica em proteína: vilã ou mocinha? »»


Comentário

  1. Comentário de Rapha | 22/07/2009 em 18:45:17

    Parabéns pelo Artigo Dra. Tati.
    Que Deus te abençoe em todos os seus caminhos

  2. Comentário de Antonio | 16/08/2009 em 10:36:28

    Artigo muito bem escrito, esclarecedor!
    Parabéns e muito sucesso Dra. Tatiana.
    “…que os anjos continuem iluminando seu caminho…”


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