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Cirurgia bariátrica em adolescentes

A matéria publicada em abril de 2009 na revista Veja aborda o a realização da cirurgia bariátrica em adolescentes, indicando quais as terapêuticas utilizadas no tratamento da obesidade em adolescentes e as recomendações para uma gastroplastia (cirurgia para obesidade) e suas possíveis conseqüências.

A maioria dos adolescentes obesos mantém a obesidade na vida adulta, por isso a intervenção cirúrgica nessa população tem aumentado e vem sendo apoiada. Entretanto, a cirurgia bariática só deve ser realizada quando o adolescente não consegue perder peso com um acompanhamento multidisciplinar (nutricionista, médico, farmacoterapia, educador físico e psicólogo) num período de 6 meses a um ano.

Em artigo publicado pela Revista da Associação Médica Brasileira, a obesidade grave em adolescentes entre 12 e 18 anos é indicação para cirurgia bariátrica de acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. A gastroplastia é o procedimento selecionado nestas situações. Os pesquisadores realizaram um estudo com 33 adolescentes entre 1981 e 2001 com média de índice de massa corporal (IMC) de 52 e média de idade de 16 anos e que apresentavam co-morbidades como hipertensão, diabetes, apnéia do sono, refluxo gastroesofágico, incontinência urinária, ovário policístico e asma. Durante a cirurgia, ocorreram complicações como embolia pulmonar, infecção de ferida operatória, estenoses de anastomoses gastro-jejunais, e úlcera marginal. Como complicações tardias houve um caso de obstrução de intestino delgado e seis hérnias incisionais.

A cirurgia promoveu perda substancial de peso nestes pacientes e as co-morbidades desapareceram um ano após a cirurgia. Além disso, a perda de peso promveu ressocialização dos pacientes com conclusão de cursos secundários e universitários. Os autores concluíram que a cirurgia bariátrica em adolescentes é segura, havendo perda significante de peso com remissão das co-morbidades.

Porém, este tipo de cirurgia não traz apenas benefícios. Apesar de diversos estudos mostrarem a eficácia da cirurgia bariátrica no tratamento da obesidade em adolescentes, deve-se atentar para o surgimento de possíveis deficiências nutricionais, causadas pela diminuição severa da ingestão alimentar e/ou do prejuízo na digestão e absorção dos nutrientes consumidos, estando assim os pacientes sujeitos a deficiências graves de nutrientes se não orientados corretamente. Os principais nutrientes que normalmente estão deficientes em pacientes que realizam a cirurgia são as proteínas, além de ferro, vitamina B12, zinco, ácido fólico e vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K). Estes nutrientes são essenciais para o funcionamento equilibrado do organismo, sendo que a deficiência destes nutrientes pode acarretar diversos prejuízos à saúde, como uma anemia por deficiência de ferro e vitamina B12, aumento do risco de doenças cardiovasculares por deficiência de ácido fólico (por aumentar os níveis de homocisteína), prejuízo no sistema imunológico e antioxidante (por deficiência de vitamina A, D, zinco), e prejuízo na coagulação sanguínea normal (por deficiência de vitamina K), dentre outras.

Sendo assim, concluímos que medidas preventivas devem ser adotadas desde a infância para que os futuros adolescentes não desenvolvam a obesidade, e assim, evitando a necessidade da intervenção cirúrgica. Os fatores ambientais (estilo de vida, hábitos alimentares, sedentarismo, dentre outros) ainda são os maiores causadores da obesidade em adolescentes. Sendo assim, para evitar a obesidade na adolescência, os pais devem ajudar seus filhos, desde a infância, a entender como evitar doenças presentes e futuras através de uma alimentação saudável.

Para que isso ocorra, atividades de educação nutricional devem ser incentivadas por escolas na busca de oferecer orientações nutricionais a todos os envolvidos na comunidade escolar, crianças, pais e funcionários, no sentido de contribuir para uma alimentação mais saudável em todas as fases da vida.

** Texto elaborado pelo nutricionista Naum Charles do Nascimento, aluno bolsista do curso de pós-Graduação em Nutrição Clínica Funcional (VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa)

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