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AZEITE DE OLIVA EXTRA-VIRGEM: ALIADO DO CORAÇÃO NA MESA!

Na edição nº 79 da revista Viva Saúde, a seção “Falso ou Verdadeiro” analisou mitos e conceitos comuns sobre o azeite. Boa oportunidade para agregarmos mais informações e conhecermos melhor as propriedades desse alimento que é comumente encontrado na mesa dos brasileiros. A palavra azeite, em português, deriva da língua árabe, de raiz zait e de prefixo az, significando sumo de azeitona, que provém de  zitoun e zite (oliveira e azeite, respectivamente). O azeite, como é conhecido no Brasil e em Portugal, é um óleo produzido a partir da azeitona, fruto da árvore chamada oliveira, cientificamente classificada como Olea europaea L., da família das oleáceas. A oliveira foi uma das primeiras árvores a ser cultivada no Mediterrâneo Oriental e na Ásia Menor há mais de 14 mil anos. Os homens aprenderam a extrair o azeite no final do período neolítico, quando passou a ser usado, inicialmente como ungüento, depois como combustível e só mais à frente empregado na alimentação, tornando-se uma árvore venerada por diversos povos. 

Atualmente, a maior parte da produção de azeitona destina-se a obtenção do óleo ou azeite, e a menor parte para o comércio da fruta. São catalogados hoje cerca de 270 tipos de olivas, mas somente 24 são regularmente utilizadas para a produção de azeites. Cada litro de azeite exige entre 5 e 6kg de azeitonas. Uma oliveira produz, por safra, em média 30kg da fruta, resultando em cerca de 5 litros de azeite.

A oliveira foi introduzida no Brasil por imigrantes europeus por volta de 1820, e no sul de Minas Gerais – estado que atualmente possui fazendas experimentais de cultivo – a partir de 1955, por produtores locais.  Nosso país é totalmente dependente da importação para abastecimento interno de Azeitonas e Óleo de Oliva, apesar de os estados do sul do Brasil apresentarem microclima favoráveis ao seu cultivo. A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), pioneira em pesquisas sobre a oliveira, deu início em 2007 a estudos em várias regiões de Minas para testar a capacidade de adaptação de variedades de oliveira em condições diferentes de clima, água e solo. No início de 2009 foi feita a extração de forma experimental e de acordo com informações colhidas no site da EPAMIG, em 2010, será feita a extração do azeite para comercialização. A previsão é colher 50 toneladas de azeitonas, que renderão 20 mil litros de azeite.

Uma vez ao ano, o Conselho Oleícola Internacional (IOC) faz uma análise estatística no que diz respeito à safra de azeitonas. As tabelas foram divulgadas este mês e segundo os dados, a Espanha e Itália permanecem os maiores produtores e exportadores mundiais de azeite de oliva, seguidos de Grécia, Portugal, Síria, Tunísia, Turquia e Marrocos. O Brasil teve um consumo médio, entre as safras de 2003/04 e 2008/09, de 32,1 mil toneladas de azeite de oliva, enquadrando-se como o sétimo maior importador e entre os 10 maiores consumidores no mundo, com taxas anuais de crescimento satisfatórias.

Os dados coletados no IOC reafirmam uma das características mais marcantes do padrão dietético mediterrâneo: o alto consumo de azeite de oliva. A primeira menção do papel benéfico do azeite foi apresentada em meados do século passado, por Keys e colaboradores, em um trabalho conhecido como The Seven Country Study. Resultado de 15 anos de pesquisas, o estudo mostrou a relação entre as dietas de sete países e a prevalência das doenças cardiovasculares. Enquanto países, como a Finlândia, apresentavam uma incidência de mortes por doenças cardiovasculares de 1.202/10.000 habitantes e os EUA 773/10.000, os habitantes da ilha grega de Creta tiveram uma incidência de apenas 38/10.000. O resultado deste estudo serviu de base para o conceito de propriedade cardioprotetora derivada dos hábitos alimentares da população Mediterrânea, cujo elemento mais comum foi o consumo de azeite. Desde então, um crescente número de pesquisas foram realizadas a fim de consolidar as propriedades e os benefícios desse alimento para a saúde.

Segundo o IOC, a singularidade do azeite de oliva virgem está no fato de não ser produzido por extração com solventes, mas sim por processo mecânico de prensa a frio, que preserva sua natureza química e antioxidante. É composto exclusivamente pelo óleo da azeitona e não passa por outro processamento além da lavagem, decantação, centrifugação e filtração. Ademais, diferentemente da maioria dos óleos vegetais, provenientes de cereais, o azeite de oliva é extraído de uma fruta e por isso possui características nutricionais e sensoriais peculiares. Dependendo do grau de acidez, que pode variar entre < 0,8%; > 0,8% e < 2%; e > 3,3%, o azeite de oliva é classificado em extra-virgem, virgem e virgem lampante, respectivamente. 

O mito de que a gordura é causadora de doenças cardiovasculares pode ser desvendado, uma vez consultadas as recomendações da Sociedade Brasileira de Cardiologia que preconiza que até 30% das calorias totais da dieta seja de gordura. No entanto, especifica que a gordura saturada seja menor que 7%, a poliinsaturada de até 10%, e até 20% de gordura monoinsaturada, encontrada especialmente no azeite. Esse é um dos fatores que contribuem para que a população mediterrânea tenha baixas taxas de doenças crônicas quando comparadas a de outros países, indicando que a qualidade da gordura deve ser levada em consideração e não apenas a quantidade. 

Estudos mostram que o consumo de azeite de oliva extra-virgem (25-50ml/dia) melhora o perfil lipídico (diminui colesterol total/ LDL e aumenta HDL), inibe a oxidação de LDL, diminui a expressão de moléculas de adesão, inibe a agregação plaquetária  e estimula a produção de óxido nítrico, que é um importante agente regulador da pressão arterial. Esses efeitos, em conjunto, contribuem para um sangue mais fluido e previnem a formação de trombos e placas ateroscleróticas, conseqüentemente protegendo contra as doenças cardiovasculares. Outro importante benefício é a ação anticancerígena, especialmente contra o câncer colorretal. O azeite interfere nos níveis hormonais, na composição celular, em diferentes estágios do câncer, além de agir na expressão gênica, modulando a proliferação, ciclo e apoptose celular.  Outras ações encontradas na literatura científica, embora em menor escala, incluem antimicrobiana em doenças como diabetes, doenças reumáticas, câncer de mama, protetor cognitivo e contra a doença de Alzheimer.  

Por muito tempo, atribuiu-se os benefícios do azeite de oliva apenas ao tipo de gordura. Contudo, atualmente as propriedades de componentes bioativos representados, principalmente, pelos polifenóis (hidroxitirosol, tirosol, oleocantal) também ganharam destaque científico. Embora apareçam em menor quantidade (1-2%) são determinantes para os efeitos positivos, possuindo ação contra dois dos desequilíbrios mais evidentes nas doenças crônicas: estresse oxidativo e inflamação. 

Para adquirir um bom azeite, procure pelo extra-virgem, de marca idônea, em garrafas escuras, com data de fabricação recente, prensado a frio e de acidez menor que 0,8%. Deve-se guardar em local fresco e ao abrigo da luz. Espanha, Portugal, Grécia e Itália são conhecidos pelos produtos de boa qualidade. Importante também procurar por produtos que tenham sido embalados no país de origem, para se evitar riscos de adulteração.

Não se deve responsabilizar um único alimento pelas características de morbimortalidade de uma população. Para que o azeite seja um aliado à saúde é necessário que esteja inserido em um contexto de estilo de vida saudável que extrapola o campo da alimentação e nutrição, respeitando a individualidade bioquímica.

*Texto elaborado pelo Dr. Nélio Carlos de Araújo Santos Filho, aluno bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

14 Respostas para AZEITE DE OLIVA EXTRA-VIRGEM: ALIADO DO CORAÇÃO NA MESA! »»


Comentário

  1. Comentário de Denise | 27/08/2010 em 20:54:35

    Olá Valéria,

    gostaria de saber se crianças menores de 5 anos podem consumir a linhaça? Qual seria a quantidade e por quanto tempo?

    E também quero saber por quanto tempo uma criança de dois anos desnutrida pode consumir a biomassa de banana verde?

    Obrigada. Abraço.

  2. Comentário de Denise | 28/08/2010 em 17:02:30

    O azeite que compramos em lata, não é considerado virgem e nem extra virgem porque são misturados com outros óleos vegetais?

    Abraço. Obrigada.

  3. VP
    Comentário de VP | 30/08/2010 em 16:35:16

    Olá Denise,

    O azeite extra virgem é obtido na primeira prensagem a frio da oliva e apresenta menor acidez comparado com os tipos virgem ou comum.

    O azeite comum é obtido por meio da mistura do azeite extra-virgem, virgem e do azeite reciclado por processos físico-químicos.

    Um abraço,

    Dra. Valéria Paschoal.

  4. VP
    Comentário de VP | 30/08/2010 em 16:43:20

    Olá Denise,

    Crianças podem consumir linhaça, mas seu consumo não deve ser diário, nem em grandes quantidades para não desencadear processo alérgico. Geralmente o recomendado é de cerca de uma colher de sopa, podendo ser acrescentada em saladas de frutas, vitaminas e sucos.

    A biomassa de banana verde também pode ser consumida por crianças desnutridas, podendo ser acrescida no feijão, sucos, vitaminas, pães e bolos como substituta da farinha de trigo.

    Um abraço,

    Dra. Valéria Paschoal.

  5. Comentário de Denise | 10/09/2010 em 04:10:15

    Por quanto tempo uma criança desnutrida pode consumir a biomassa de banana verde (anos ou apenas alguns dias)?

  6. VP
    Comentário de VP | 14/09/2010 em 16:20:19

    Olá Denise,

    Nenhum alimento deve ser consumido todo dia. É importante a variedade, então faça uso da banana verde em um dia e em outro utilize outros vegetais.

    Um abraço.

    Dra. Valéria Paschoal.

  7. Comentário de Angelita | 07/11/2010 em 13:31:36

    Boa tarde!
    Gostaria de saber se é verdade que o azeite de oliva extra virgem extraido a frio ajuda a emagrecer?

  8. VP
    Comentário de VP | 09/11/2010 em 13:35:13

    Olá Angelita,

    O azeite de oliva extra virgem tem propriedades anti-inflamatórias além de diminuir o índice glicêmico da alimentação. Portanto, ele pode auxiliar na perda de peso, visto que a obesidade é uma doença inflamatória e que pode ser tratada inclusive diminuindo a carga glicêmica da alimentação.

    Entretanto, não há alimentos milagrosos, então a adição deste alimento não é suficiente para obter os benefícios, e nem é necessário o uso em grandes quantidades. Portanto, é preciso identificar quais os erros alimentares para corrigi-los, desta forma é possível obter uma resposta muito melhor, com a modulação das reações metabólicas.

    Um abraço.

    Dra. Valéria Paschoal.

  9. Comentário de O Primitivo | 12/12/2010 em 16:12:03

    Em matéria cardiovascular, não existe fundamento científico para considerar o azeite melhor que as gorduras saturadas da carne, ovos e lacticínios - http://www.canibaisereis.com/2010/11/11/alegacoes-oleosas-sobre-o-azeite-gorduras-saturadas-mais-saudaveis/

  10. VP
    Comentário de VP | 20/12/2010 em 10:32:08

    Olá Primitivo,

    O azeite de oliva extra virgem vem sendo estudado não apenas pela presença do perfil nutricional, mas também pela presença de diversos fitoquímicos nestes alimentos. Faltam estudos de intervenção com o azeite neste formato e aproveito aqui pra dizer que não basta um único estudo e sim uma série deles, então, devemos nos embasar enquanto estudos de intervenção não são feitos, nos estudos existentes que mostram que populações que consomem este tipo de gordura possuem benefícios, além das melhoras em parâmetros bioquímicos. Estudos de intervenção com a introdução do azeite de oliva ricos em compostos fenólicos já mostraram redução do PAI-1 logo após 2 horas de consumo, assim como em 3 meses de uso pode ser observado reduções em valores de LDL-oxidada, além de benefícios em parâmetros como HDL-c, atividade da GPx e nos níveis urinários de MDA.
    Outro ponto a ser observado é que nenhum alimento é milagroso, portanto, não é possível considerar que a ingestão de apenas um alimento seja suficiente para prevenir e controlar diversas doenças, como é o caso do azeite de oliva e doenças cardiovasculares. É preciso considerar a alimentação como um todo, além de outros fatores ambientais, sociais, comportamentais, psicológicos, genéticos, além dos novos conceitos da nutrigenética. Portanto, seria extremamente complicado realizar um estudo grande, populacional e de intervenção que apontasse redução do risco de doenças.

    Diante de todos os fatores conhecidos, sem considerar os desconhecidos até então, é bem complicado dizer que uma única intervenção seria suficiente para prevenir ou tratar uma doença com causas multifatoriais. Então, o que precisa ser feito é uma somatória de conhecimentos e de intervenções com a finalidade de minimizar ao máximo os fatores de risco que já foram identificados.

    Um abraço.

    Dra. Valéria Paschoal.

  11. Comentário de josé geraldo alves santana | 06/05/2012 em 15:38:48

    qual seria a melhor forma para cnsumir o azeite? e é verdade que? se aquecer bem o azeite ele perde toda as suas propriedades nutritivas.

  12. VP
    Comentário de VP | 12/05/2012 em 11:37:11

    Olá José Geraldo,
    A melhor forma de consumir o azeite é cru, frio. E se aquecer bem ele perde as propriedades antioxidantes/ funcionais que ele tem, mas continua sendo gordura e oferecendo 9kcal de gordura por grama, porém uma gordura já sem as propriedades benéficas conhecidas. Vale lembrar esta perda é proporcional ao tempo e temperatura, ou seja, é pior quanto maior o tempo de aquecimento e maior a temperatura, portanto, aquecer por pouco tempo e com temperaturas não tão elevadas ainda mantém parte de suas propriedades.

    Um abraço.

    Dra. Valéria Paschoal.

  13. Comentário de Miqueias Cassemiro | 22/02/2013 em 00:09:07

    Boa noite Doutora, queria saber qual a quantidade diária que posso consumir de azeite extra virgem? Posso consumir uma quantidade de 100 ml (10 colheres) por dia?

  14. VP
    Comentário de VP | 22/02/2013 em 10:27:07

    Olá Miqueias,

    Temos recomendações nutricionais para nutrientes e não alimentos. De uma forma ampla, 1 colher de sopa de azeite no almoço e outra no jantar já é uma quantidade boa. Pois, em 100ml de azeite você terá por volta de 800kcal o que provavelmente vai fazer extrapolar muito as necessidades diárias de calorias contando com o restante da alimentação, a menos que sua necessidade diária de calorias seja alta.
    Procure um profissional nutricionista para montar um plano alimentar adequado às suas necessidades diárias, ok?

    Um abraço.

    Dra. Valéria Paschoal.


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